Colunista Demétrius Faustino

  • DESORDEM INSTITUCIONAL

    09/03/2019

     Passou o carnaval e o governo Bolsonaro ainda não se deu conta do seu caráter parasitário e da sua desordem nadacondizente com o quesito administrar, pois até o momento só se vê bate-boca entre o pai presidente e os filhos parlamentares. Essa falta de ar puro, dmuita afobação e disse-me-disse, vai custar caro.

    Até o ex-presidente Fernando Henrique Cardosodisse com toda a fala que “todo início de governo é desordenado, mas o atual está abusando”. Segundo FHC, os familiares do presidente não podem colocar “lenha na fogueira”, pois o fogo afeta o país.

    Ora, o filho mais velho Flávio Bolsonaro não tem nenhuma moral para se utilizar de ataques infundados, cujo objetivo precípuo é o de gerar notícias sensacionalistas, pois precisa mesmo é explicar sobre o escândalo de seu assessor Fabrício Queiroz, após o Coaf descobrir movimentações atípicas em suas contas; O Eduardo Bolsonaro, irrelevante como parlamentar, mas bom de ofensa,disse em bom som que para fechar o STF basta um cabo e um soldado, no que obrigou o Messias a pedir desculpas à Suprema Corte. Já o Flávio Bolsonaro chamou o ministro Gustavo Bebianno de mentiroso.

    Sem esquecer de alguns ministros, que vem causando vexames:

    escolhido para o cargo de ministro da Educação, o filósofo colombiano Ricardo Vélez Rodríguez, que é um ferrenho crítico das idéias do pernambucano Paulo Freire, chamou os brasileiros de ladrões e disse que eles roubam até hotéis quando viajam ao exterior: O brasileiro viajando é um canibal. Rouba coisas dos hotéis, rouba assento salva-vidas do avião; ele acha que sai de casa e pode carregar tudo. Esqueceu essa autoridade, que a terra dele é conhecida no mundo inteiro, apenas em razão do tráfico de drogas.

    O ministro disse ainda que vai acabar com as cotas e com a universidade pública; E ainda tem aquela estória de cantar o hino nacional nas escolas, pedir autorização dos pais para que seus filhos sejam filmados, e ao final pronunciar o slogan de campanha do seu Jairsó não conseguiu porque seu abuso de poder foi alvo de denúncia.

    A ministra da Mulher, Família e Direitos Humanos, Damares Alves, disse num vídeo que viralizou nas redes sociais, ter visto Jesus subindo numa goiabeira, e que “meninos vestem azul e meninas vestem rosa”. Ou seja, a ministra de Bolsonaro virou meme na internet.

    Outro desconhece personagens importantes da História do Brasil, quando não soube dizer quem foi Chico Mendes.

    E o pior: há quem outorgue a responsabilidade dos erros desse governo aos filhinhos do presidente, na tentativa de eximí-lo. Mas afinal, quem é o Chefe? Não é à toa que o vice Hamilton Mourão andou falando por  que o “presidente vai botar ordem na rapaziada”. Só não se sabe quem vai botar ordem no presidente né Mourão!

    Prá completar o firo, vem os áudios das conversas entre o presidente Jair Bolsonaro com o Gustavo Bebianno, onde o presidente se utiliza de desculpas desprovidas de lógica para demitir o ex-ministro, usando inclusive os filhos para criar um clima adequado.

    O fato é que, há uma crise política e administrativa nas hostes palacianas, e com isso, governar que é bom, nada.

    E essa última atitude do presidente em postar um vídeo em rede social com cenas em que o tweet considerou como de “conteúdo sensível”, e que gerou revolta entre internautas, foge dos termos da instituição presidência da República.

    Parece que o governo ainda não tomou posse, pois ainda está vivendo e aprendendo a jogar.

     Por Demétrius Faustino

  • ESQUENTAI VOSSOS PANDEIROS

    11/07/2017

     A legitimidade da origem do samba será sempre um tema a ser discutido, porquanto há controvérsias entre os estudiosos. Mas em sua grande maioria, pesquisadores relatam que o samba nasceu há mais ou menos cem anos, e cujos antepassados sem indicar dentro de uma ordem cronológica, são os cantos africanos, lundu, o batuque, o jongo ou caxambu. E no Brasil trazem-nos o registro de uma desmedida mistura de ritmos e tradições, cujas origens provem dos antigos batuques trazidos pelos africanos que vieram como escravos para o Brasil.

    Entre tantas polêmicas, cremos, pois, que a música “Pelo Telefone”, composta por Ernesto Joaquim Maria dos Santos, conhecido popularmente por Donga, apesar de alguns especialistas contrariarem essa afirmação de forma contundente, no sentido de que a letra dessa canção seria do jornalista Mauro de Almeida, é considerado o primeiro samba a ser gravado no Brasil, segundo a maioria dos estudiosos, e a partir dos registros existentes na Biblioteca Nacional no Rio de Janeiro, onde ali há um relato de que foi o sucesso do Carnaval de 1917. “Pelo Telefone” então, é de fato, a estréia do gênero, apesar de entendermos que se trata de um maxixe.

    Nota-se pela letra de “Pelo telefone” a primeira delação premiada da corrupção no Rio de Janeiro, pois as armações do chefe de polícia foram denunciadas, a despeito de Donga, em depoimento no Museu da Imagem e do Som, ter dito que a letra original é “o chefe da folia”, onde se conclui que qualquer semelhança com os dias de hoje não é mera coincidência.

    Se fictício ou real, não se sabe ao certo, mas é consenso o fato de que foi no balneário de São Sebastião, região central do Rio, que o samba evoluiu de forma brilhante, sob o comando das Tias Baianas.

    E Zé Kéti, cantaria mais tarde: “Eu sou o samba/Sou natural daqui do Rio de Janeiro/ Sou eu quem levo a alegria/ Para milhões de corações brasileiros.” 

    Por mais que a nossa historiografia os tenha desprezado, os negros baianos radicados no Rio principiaram novos costumes, hábitos, e valores que inspiraram a cultura carioca, a exemplo do samba.   

    E a permanência do samba no cenário, dá-se porque ele traz em sua substância a dor da alma africana e o dom antagônico de produzir alegria.

    “O samba é o cidadão que move musicalmente o Brasil. Humilde, a ele bastam um cavaquinho, um pandeiro, um tamborim e um intérprete. Ele se sujeita a tudo, já correu da polícia, enfrentou o preconceito da alta sociedade, mas sempre tem alguém para lhe acudir”.

    Quem assim define o samba é o axiomático Nelson Sargento, uma das mais altas patentes do gênero, que com sensibilidade de poeta compôs um vaticínio em forma de clássico: “Samba, agoniza, mas não morre, alguém sempre te socorre antes do suspiro derradeiro”. 

    O fato é que o samba é considerado por muitos críticos de música popular, artistas, historiadores e cientistas sociais como o mais original dos gêneros musicais brasileiros ou o gênero musical tipicamente brasileiro. 

    Brasil esquentai vossos pandeiros.

     

     

  • CANÇAÇO NA PARAÍBA I (UM RESUMO DO ATAQUE A SOUSA)

    17/04/2017

     Por Demétrius Faustino

     

    Em 27 de Julho de 1924, um forte grupo de cangaceiros atacou a cidade de Sousa, no alto sertão paraibano, cuja origem dessa investida, diga-se de passagem, bem sucedida, surgiu de um querer de vingança de um fazendeiro de nome Francisco Pereira Dantas, mais conhecido como Chico Pereira, e que vivia num sítio conhecido como Jacu, localizado há alguns quilômetros de Sousa, precisamente nas proximidades da atual cidade de Nazarezinho.

    O pai de Chico Pereira, coronel João Pereira, fora assassinado por questões políticas, e na região corria à boca miúda que os mandantes seriam pessoas de famílias influentes da cidade, a exemplo da família Mariz e da família Rocha. Mas entre estas pessoas o nome mais ventilado era o de Otávio Mariz.

    E nesse pesado clima, em plena feira da cidade, o Sr. Otávio Mariz piora a situação ao chicotear uma pessoa ligada ao coronel Chico Pereira, cujo assunto chega aos ouvidos deste, através da própria vítima de nome Chico Lopes. De logo, o coronel acalorado, envia um recado a Lampião, que se encontrava em Princesa, no sentido de receber seu apoio na efetivação de um ataque contra os seus inimigos, onde em ato contínuo, Lampião que estava incapacitado de se locomover, não podendo atender assim ao pedido pessoalmente, determinou que dois dos seus irmãos (Antônio e Livino Ferreira), e mais uma quantidade de cangaceiros, a exemplo de Sabino, José Cachoeira, Lua Branca e Meia-Noite, seguissem para o Sítio Jacu, juntassem as forças com um grupo de homens armados mantidos por Chico Pereira, e atacassem a cidade.

    O grupo ao se formar, totalizou-se em 84 homens, enquanto que a cidade contava apenas com um destacamento de 10 soldados e um sargento, comandados pelo Tenente Salgado, e mesmo assim, o destacamento simplesmente se recusou a cumprir as ordens do tenente desprezando seu comando. Há relatos de que a única criatura que chegou a trocar tiros com os cangaceiros, mas rapidamente desistiu, foi o telegrafista local.

    O fato é que no dia do ataque, a cidade sem defesa, com os fios telegráficos e telefônicos cortados, restou para a mesma apenas uma página negra na sua história, porquanto o saque foi tão desmedido, que até mesmo nas mãos dos cangaceiros, sofreram os seguidores de Chico Pereira, pois nem este conseguiu controlar as feras que ele mesmo incentivou a atacar a cidade. Aonde havia casas comerciais e residências, ou outro local que tivesse objetos de valor, estes foram saqueados. Sem olvidar da invasão à residência do juiz local, de nome Dr. Archimedes Souto Maior, onde dela foi retirado ainda com roupas de dormir, e ato contínuo submetido a todo tipo de tormenta e humilhação, sendo forçado inclusive, a andar de cangalha e em posição vexatória pelas ruas.

    No caso desse magistrado, tal atitude se deu por iniciativa do cangaceiro apelidado de “Paizinho”, que tinha queixas pessoais contra o mesmo, pois o acusava de tê-lo condenado por um crime que não cometeu. E o Dr. Arquimedes só não foi assassinado, tendo em vista a intervenção do próprio Chico Pereira.

    Após o ataque, e com a saída do grupo de cangaceiros em direção a Princesa, a repercussão do fato se espalhou pela Paraíba e pelo Nordeste.

    Um fato importante nesse episódio, é que nessa ocasião, Lampião não estava presente como afirmado anteriormente, pois se recuperava de um forte ferimento numa área da propriedade denominada Saco dos Caçulas, na zona rural da cidade de Princesa, na fronteira da Paraíba com Pernambuco, propriedade esta pertencente à Marcolino Pereira Diniz, filho do poderoso Marçal Florentino Diniz, todos parentes de José Pereira de Lima, líder político e “dono” de Princesa.

    João Pessoa, Abril de 2017.

     

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