Colunista Flávio Lúcio Vieira

  • As opções da deputada Danielle Ribeiro para definir sua opção em disputar o Senado

    22/07/2018

     Estamos chegando à última semana de julho e às vésperas do início do prazo para realização das convenções partidárias que escolherão os candidatos das coligações que disputarão a eleição de 2018. Para manter a tradição, o Partido Progressista do ex-ministro do governo Dilma Rousseff e atual líder do governo Temer na Câmara, Aguinaldo Ribeiro, não sabe ainda se é governo ou oposição.

     

    O motivo para essa indefinição todo mundo sabe: não se trata, por óbvio, de questões de ordem programáticas ou ideológicas, mas de cálculos de várias ordens que apontem o melhor caminho para eleger a irmã de Aguinaldo, a deputada estadual Daniela Ribeiro, para uma das vagas ao Senado.

    Escolhida a noiva dessa eleição, com as exceções de praxe do PSTU e do PSOL, a ex-oposicionista Daniela conversa com tudo e com todos. Ela já esteve mais próxima de anunciar a entrada na chapa liderada pelo PSB para fazer companhia ao conterrâneo campinense e até então tradicional adversário político, Veneziano Vital do Rego, um dos candidatos do PSB ao Senado.

    Mas, depois que o prefeito de João Pessoa, Luciano Cartaxo, lançou à mesa de negociação o ás da candidatura de sua esposa, Maísa Cartaxo, à suplência de Daniela, o ânimo governista da deputada arrefeceu.

    E o motivo é que Daniela Ribeiro tem muito a ganhar quando amarra sua candidatura com a de Maísa Cartaxo no maior colégio eleitoral do estado onde ainda é pouco enraizada. Com a vantagem adicional de que, em João Pessoa, o eleitorado de Cartaxo não torceria o nariz para Daniela, como tende a fazer o eleitorado ricardista − é sempre bom lembrar que, em 2010, Cássio, o então “senador de Ricardo”, foi derrotado em João Pessoa por outro campinense, mas de estatura política muito menor, Vital do Rêgo Filho.

    Como aconteceu com Cássio, e agora num ambiente de muito mais radicalização política, Daniela deve passar muitos constrangimentos ao longo da campanha, tendendo a sofrer com o “fogo amigo” dos eleitores de João Azevedo, e até mesmo de candidatos que estarão na coligação “socialista”, como, aliás, já está acontecendo. Nos grandes centros, Daniela viverá um questionamento permanente da base social do PSB e PT, que, registre-se, é a mesma.

    Motivo principal: o irmão de Daniela Ribeiro, o deputado federal Aguinaldo Ribeiro, parlamentar da base do governo petista até às vésperas do impeachment, mudou de posição depois de turvas negociações para aderir ao golpe parlamentar que depôs Dilma Rousseff da Presidência. Hoje, Aguinaldo é um dos líderes do governo Temer no Congresso.

    Será muito engraçado, para não dizer vergonhoso, ver a sigla do PT ao lado da do PP compondo a coligação liderada pelo PSB, cuja principal liderança na Paraíba, o governador Ricardo Coutinho, teve papel de destaque na luta contra o impeachment. Mas, como esse tipo de coerência anda escassa na feira das alianças na Paraíba, Daniela e o PP podem incluir entre suas opções, ao ponto de ser paparicada, dividir o palanque com ferrenhos adversários.

    Além de tudo, ao apoiar o candidato governista, Daniela vai passar boa parte do tempo explicando mudança tão repentina de discurso, depois de quatro anos como deputada do bloco oposicionista na Assembleia, quando ocupou por diversas vezes a tribuna para desferir ataques ao atual governo.

    Tudo isso certamente compõe os cálculos dos Ribeiros para tomar a decisão de qual palanque compor em 2018. Talvez tenha chegado a hora da família incluir em seus cálculos os ganhos associados à coerência no discurso, fidelidades às alianças e trajetórias assumidas. Além de um toque, mesmo que seja para dar um leve sabor a essa anódina maneira de tratar as diferenças, de identidade política e ideológica.

    Na chapa do PSB, Daniela vai ter a estrutura do governismo e da máquina eleitoral do PSB, sobretudo no interior − mas, é bom lembrar que, em 2014, José Maranhão se elegeu senador derrotando sozinho as máquinas eleitorais do governo e da oposição, − mas vai perder discurso e enfrentar tensões internas que atrapalharão muito sua candidatura (e Daniela sabe mais ou menos onde está pisando devido a experiência de 2012 quando disputou a Prefeitura de Campina em aliança informal com o PT).

    Na chapa de Lucélio Cartaxo, Daniela terá suporte nas maiores cidades do estado, aquelas com mais de 20 mil eleitores e onde reside mais da metade do eleitorado paraibano, sobretudo em João Pessoa, Campina Grande, Santa Rita, Guarabira, Patos, Sousa, Cajazeiras, só para citar as maiores prefeituras controladas pela oposição. De quebra, ainda manterá a coerência das alianças, do discurso, e com os valores políticos e ideológicos que sua atuação parlamentar exprime cotidianamente, aspectos que o eleitor pode começar a prestar atenção a partir de 2018.

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