Colunista Gilvan Freire

  • A queda do consórcio viral da conspiração golpista

    19/04/2020

     Era domingo 12 quando o Fantástico disparou seu último morteiro envenenado destinado a por à pique as eleições presidenciais de 2018, desconstituindo um veredicto dado pela soberania do voto popular dos brasileiros.

    Ali também findava, por erro de pontaria e de estratégia, um consórcio bélico formado pela Rede Gobo, Rodrigo Maia, Alcolumbre, DEM, STF, Dória, PT e lulopetistas (esquerdistas convergentes), todos surfando na onda do Covid 19.

    A entrevista de Mandetta, o astro maquiado que a Globo corrompeu para sustentar suas teses natimortas de quarentena sem saída, seria o fim do governo, decretado por um grito de insurreição do ministro mais popular e pelo pavor do povo.

    Mandetta, que encandeado pelos holofotes da Globo ressurgente amou- a mais do que ao país, falou mais como primeiro-ministro
    de um governo paralelo do que como subordinado de um presidente de república.

    Caindo na armadilha da deslealdade e da insubordinação, Mandetta feriu o senso comum e amanheceu na segunda 13 em desgraça perante a nação. Nessas horas, o bolsonarismo põe a vela e encomenda o corpo.

    O tiro da Globo saiu pela culatra e explodiu no colo da conspiração, na hora em que o Covid no mundo desmanchava também as verdades contraditórias de uma ciência atônita.

    O DEM, que é ao mesmo tempo governo e contra o governo (tem vários ministros no governo, fomenta o governo paralelo de Maia e cobiçava fazer de Mandetta um futuro presidente), preferiu acovardar-se que reagir.

    Diante dos episódios desses últimos dias, o bolsonarismo tomou conta do país, dos poderes e dos líderes, fazendo valer sua legitimidade eleitoral e sua autoridade de movimento político orgânico.

    É o bolsonarismo, e não Bolsonaro , que está vencendo a resistência golpista do consórcio viral. O país está precisando de líderes para resolver e não para aumentar as crises, e cada dia mais parece que o presidente não governa nem mesmo sua língua nem a ignorância de seus filhos.

    Mas, talvez, Bolsonaro nem precise se corrigir muito para convencer seus opositores e desafetos, a medir pelo conteúdo dos argumentos e razões arguidos contra ele e seu exército politico-eleitoral.

    Nunca um embate político foi tão pobre de ideias contrapostas e tão fértil de impropério trocados; é como se a inconformação
    eleitoral tivesse abolido a razão e a verdade como elementos da cultura do povo.

    O jogo vem sendo bruto e continuará a sê-lo. O bolsonarismo , a essas alturas, esmaga a oposição e protege e adora seu bezerro de ouro como troféu conquistado nas eleições de 2018. Direito seu.

    A Globo bate em retirada em pleno campo de batalha, acossada, além do mais, pelo fim gradual do isolamento. Maia põe seu pescoço de espiral giratória à forca do centrão , que negocia a própria sobrevivência.

    O PT e o lulopetismo escondem Lula de mais um fracasso acachapante e fogem de uma aliança golpista heterogênia e indecente que objetivava tomar o poder pela trama e não pelo voto.

    A esquerda comunista , que não serve para nada a não ser para rotular de direita os que estão do outro lado do balcão, esta vai continuar lotando ao menos dois vagões de trem, sem estação de partida e de chegada.

    O STF continuará atuando contra o povo mas temente à reação popular – indo e voltando – ainda pondo as togas de molho diante do olhar carrancudo de setores militares que sustentam o governo.

    Em suma, o bolsonarismo como corrente de ação política dominante, permanentemente mobilizada por poderosas redes sociais ,não apenas esmaga seus adversários, mas controla o ambiente político e impõe Bolsonaro como o filho das urnas. Até que Bolsonaro aprenda. Ou largue.

    Gilvan Freire.


     

  • O naufrágio do Mito Bolsonaro e o afogamento de Julien Lemos

    12/12/2018

     Essa história do povo fabricar Mito é um atraso colossal. Ao longo dos tempos, os mitos foram o falseamento da verdade real e só serviram para causar assombros, transtornos e danos materiais e sociais em toda a humanidade. São causa da infelicidade, infortúnios e frustrações dos povos.

    Elevar homens à categoria de mito é uma tragédia à parte na mitologia, que começa e termina em geral na enganação e na exploração do homem pelo homem e na fantasmagorização da realidade humana.

    No Brasil, a esquerdofrenia jurássica tirou a condição humana de Lula e o transformou em mito maquiado, uma obra ilusionista e cosmética de maus resultados estéticos que agravou seus desvios de caráter – foi de santo de barro cru a fantasma assustador. Nem ele próprio sabe hoje quem é, de tão disforme e remendado que ficou.

    Enquanto os marxistas enfeitam Lula com rosas vermelhas murchas e o povo brasileiro em sua maioria o abomina, o resto do mundo derruba até as estátuas de bronze dos ex-mitos que criaram em tempos de alucinação coletiva e regimes de opressão. O lixo da história está repleto deles.

    O mais recente produto da mitologia brasileira é Bolsonaro, outro santo de argila que não resiste a um tombo do andor e que nem o povo nem ele próprio sabem direito quem é . Trata-se, sem dúvida, de um fenômeno de ocasião, fruto da imaginação coletiva engenhosa que queria inventar um mito-espantalho para afugentar os maus agouros do mito-assombração. Nada mais que isso.

    O bolsonarismo, sim, é o maior contingente ativo que o Brasil possui em estado permanente de ebulição política, até que sejam resolvidas as cobranças de sua cruzada eleitoral vitoriosa. Bolsonaro, com toda as suas precariedades, é apenas o instrumento da mudança, se não se revelar, prematuramente, precário demais.

    Claramente despreparado para governar o país, mas mesmo assim ungido para cumprir a missão, Bolsonaro precisa ter dois governos : um para gerir os gravíssimos conflitos que cria com suas próprias palavras e atitudes impensadas e com o amadorismo e exibicionismo perigoso dos filhos e principais membros da equipe ( quase todos tisnados ); e outro governo para uma sociedade que não quer perder a esperança reconquistada e o voto posto na urna.

    Ainda bem que o mito Bolsonaro está morrendo precocemente, dando lugar ao líder que emergiu das urnas cheio de cobranças e compromissos, desafiado a por ordem e sabedoria na governança a partir de sua própria casa, sob pena de um naufrágio de dimensões tsunâmicas.

    Casos como o do deputado Julien Lemos, que demonstra ralo preparo na condução de seu papel parlamentar, queimando em pouco tempo prestígio junto à corte presidencial, possivelmente causando muitos danos aos colaboradores paraibanos que levou à equipe de transição, é uma forte evidência de que mitologia começa matando os seus próprios adoradores. É preciso ir devagar com o andor.

    Fonte: Gilvan Freire

  • Um tsunami ameaça a aliança entre Cássio, Maranhão e Luciano Cartaxo

    01/05/2017

     ” A ambição faz o homem querer chegar mais rápido aonde só pode.chegar seguro se for devagar ” – dizia Velho Jacó aos incautos de seu tempo, preveninldo-os mais quanto ao pecado da cobiça do que quanto ao excesso de velocidade, pois naquelas épocas só eram velozes mesmo o som, a luz e as ondas magnéticas.

    Na poltica, que é um meio de transporte acidentário por onde transitam os que buscam o Poder, parece que a ambição é movida a velocidades desmedidas e desenfreadas. De fato, em torno dos nossos cotidianos locais impressiona como os maiores líderes querem cada vez mais para si o que poderiam dividir com mais gente, democratizando as oportunidades. Cada um deseja ser herdeiro privilegiado de um patrimônio de construção coletiva e de destino público. Vejamos :

    ZÉ MARANHÃO – É o mais longevo e experiente de todos, contando mais de 60 anos de vida pública e uma ambição ainda muito jovem. Parece capaz de atrasar o relógio do tempo a fim de recuperar alguns anos políticos perdidos durante a ditadura militar, os dois que perdeu de governo para Cássio e os quatro para RC. Com mais de seis anos restantes agora de mandato senatorial, à rigor não quer disputar o cargo de governador, embora goste da governança. Tem saúde e pernas para enfrentar maratonas eleitorais e vê-se como um nome capaz de construir consensos , preferencialmente em volta de si mesmo, de modo particular depois que desfez a inimizade com Cássio. RC o respeita – é um dos poucos de quem não fala mal nem afogenta – e isso por si só já quer dizer algo enigmático que dever ser interpretado com curiosidade e atenção durante essa travessia que leva a 2018.

    Maranhão é, para os demais, o mais confiável de todos e possui como dono o latifúndio eleitoral do PMDB, personalizando o partido e ficando acima dele perante a legião de eleitores partidarizados de todo o Estado. É, além do mais, cauteloso, ponderado e prevenido, atributos que não lhe impediram de sofrer mais de uma rasteira de RC, mas nada que o próprio não pense em compensar quando a necessidade bater à porta de sua fortaleza na fase de desocupação do prédio.

    CÁSSIO – Afora o próprio pai, Ronaldo Cunha Lima, que ícone do povo algumas décadas atrás, o filho também nasceu pioliticamente como objeto sagrado das massas, a partir de Campina Grande, a escola onde aprendeu a bater e ganhar e donde tirou as primeiras lições de que as dinastias provincianas modernas não têm reis reais nem longa duração, talvez pelo fato de que não há nobreza originária da pobreza.

    O Galo de Campina já foi depenado por Veneziano em seu próprio terreiro, teve os esporões arrancados por RC em 2014, e Maranhão já lhe tomou dois anos de mandato governamenal, o que tem lhe servido para trocar a soberba pela humildade, virtude que fez de seu pai um santo no andor popular. No programa de tvWeb INTROMETIDO, realizando a cada segunda-feira às 20h00 pelo You Tube. Cássio fez pela primeira vez, três meses atrás, sua mea culpa pela derrota diante de RC, confessando ter sido soberbo em recusar uma aliança com Zé, jogando-o nos braços nada afagantes do atual governador, que liquidou a fatura no segundo turno,após ter perdido no primeiro.

    O senador Cássio, que ainda é individualmente o líder mais amado pelos seus seguidores, já perdeu parte de seu rebanho para RC, tanto quanto Zé também perdeu. Por vingança e ódios um do outro (Zé e Cássio), ambos confiaram as suas ovelhas a RC, em certos momentos recentes, que pastoriou-as de tal modo e mando que quando os dois quiseram contar as cabeças a maior parte do rebanho já não era mais deles.

    Ressabiados hoje com a experiencia pastoral que tiveram terceirizando o pastoreio, Zé e Cássio receiam de pastores novos em seus pastos, daí os olhos vesgos com que olham Luciano.

    Mas será que Zé e Cássio apoiaram Cartaxo apenas para derrotar RC em sua cidadela, objetivando reduzir a sua influência nas eleições de 2018, quando deixa o governo sem sucessor pronto, ou pretendem transformar Luciano em candidato a governador, usando seu palanque para garantir a reeleição de Cássio pro Senado? Cássio e Zé vão entregar novamente seus rebanhos a um pastoreador noviço? Ora, se vem um e leva parte dos rebanhos e outro que leva mais uma porção das ovelhas, o que sobra para os pastores mais antigos ?

    RC, O PASTOR DE OVELHAS ALHEIAS – Zé e Cássio não só perderam muitas ovelhas para RC , mas as ovelhas perdidas são agora hostis aos dois , seguindo a máxima do novo pastoreador de que quem é contra o pastor é também contra as ovelhas. Esse novo rebanho , formado de ovelhas ferradas no cassismo e no maranhismo , contesta e ataca veementemente os dois lados , mas nada que não possa mudar a partir das eleições de 2018 , quando o Poder que as une se desintegrar e esvaziar as cocheiras.

    RC já teve três experiências exitosas com os outros três , Cássio Maranhão e Luciano Cartaxo , de 2010 para cá. Nenhum dos três ganhou nada, para que RC pudesse ganhar sozinho. Esse encontro de contas , simples e incontestável, entre custos e benefícios , é quase fatal para RC , que em vez de aliados faz vítimas. Mas , se RC foi capaz de ludibriar tanta gente importante e sabida , por quê não pode reenganar a um ou outro mais vezes ? Afinal , quem é mesmo o ás e o mais sabido de todos ?

    E se RC puder ao menos dividir os três , aproveitando-se da desconfiança generalizada que ele próprio semeou entre os grandes , criando um desconfiômetro nas ovelhas e nos pastores ? Bem , RC não pode ser mais candidato a governador e nem tem ao seu lado um líder com a dimensão de seus adversários para entrar na disputa em 2018. Prepara Gervasinho , um político jovem e promissor que ganha projeção ao seu lado mas tem pouco tempo e pouca vontade de correr riscos e criar intervalos em seus projetos. Quem entre as principais vítimas de RC voltará a se aliar a ele com tão ruins antecedentes ? Mas será que se for para se beneficiar , e não beneficiar exclusivamente a RC , alguma das vítimas não aceitaria uma composição , afim de fugir das desconfianças dos seus próprios aliados ?

    Cogitada , nesses últimos dias , uma reaproximação de Cartaxo com RC , por conta das ambições do PMDB e PSB de terem candidaturas próprias em 2018 , conspirando contra a candidatura embrionária de Luciano , que sempre pareceu ao povo previamente acertada desde a eleição de 2016 , o prefeito silenciou e RC mandou um auxiliar desmentir a especulação. RC não quer matar cedo a candidatura de Gervasinho , nem quer passar a ideia de que está enfraquecido e sem sucessor. Também não quer cometer ato falho e antecipado , pensando que Cássio e Maranhão possam voltar à candidatura de Luciano. O jogo é estratégico, sutil e cheio de lances, abaixo da Linha do Equador. Até a matemática muda quando se mexe com a posição dos números e dos sinais.

    LUCIANO CARTAXO – Bem , não se pode dizer muito sobre o prefeito , vez que seu projeto previsível está povoando o imaginário coletivo , tanto quanto o de Dória está avançando no imaginário eleitoral do povo brasileiro. Com a diferença de que o eleitor do Brasil está sem líderes e o povo da Paraiba ainda tem líderes de sobra , podendo competir com Luciano em caso de implosão de sua aliança.

    Mas se as ambições de alguns líderes não forem freadas , por excesso de velocidade, e Cartaxo se unir ao governador , criando uma força hegemônica na capital e na região metropolitana perpassando pelos municípios ricardistas peemedebistas dissidentes, não sobrarão nem cacos das ovelhas nem dos pastores mais antigos. Mas todos já estão de olhos arregalados para os abismos mais próximos , porque até mesmo os animais , que não agem pela vaidade e pelo orgulho , pressentem desastres naturais como vulcão , furacão e tsunamis , antes mesmo que ocorram.

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