Colunista Irapuan Sobral

  • Sexo

    01/05/2017

     

     
    Seios, lábios e genitais
    São lembranças úmidas
    de que à água
    misturamos do paraíso
    um rio de vida
     
    desejos e prazeres
    como a reprodução
    são apenas o pecado
    original:
     
    a ilusão - ou desvio
    do retorno
     
    O gozo é o leite -
    derramado
     
    Tempo
     
    Em que teta do tempo
    suga-se o leito
    de eternidade
     
    O tempo foi
    tirado
    do céu quando
    um planeta parado
    se envolvia de
    estrelas
     
    Mas a Terra
    andou
    feito o céu
    que desapareceu
    com a eternidade
     
    para nao ser visto
     
    e deixou
    o sol
    e as hipóteses
    e as teorias
     
    até a lua anda
     
    e o tempo
    continua 
    pensando
    que estamos 
    parados
    e ele contando
     
     
    Corpo
     
    O encaixe do espaço no tempo
    Úmido - no leito
    deitado
    derramado
     
     
     
    Poesia
     
    Fazer poesia
    é brincar de dias
    e memorias.
     
    em algum idioma existente
    até a lembrança
    do poeta, o poema rima
    a sina.
     
     
    Estilo
     
    Não há.
    Até que uma roupa
    velha de desuso
    acuse
     
     
    Forma
     
    Sobras da fôrma
    tiram na substância
    a forma
     
     
    Espaço
     
    Esquentava
    o ar
    pelas narinas,
    Para faze-lo
    deixar 
    o nada
    ocupar o espaço -
    por omissão.
     
     
     
    Passada
     
    Passado em poesia
    não é tempo
    é roupa
    dobrada para guardar
    sem as marcas da lavagem
    torcida - liquidada
    pronta para usar
     
     
    Jurisprudência
     
     
    O perdão não devolve 
    a mesma pessoa
    Mas plastifica a cicatriz.
    Com o silêncio eterno
    do fato, a que os advogados
    chamariam
    jurisprudência.
     
     
    Substantivos
     
    São descansos 
    Materiais
    Mesmo os abstratos
    Quando tentam a imagem
    Carecem da transcendência
    E se submetem ao verbo!
     
     
    GRITO
     
    A palavra DITA-DURA
    será comum
    em qualquer idioma;
    Rimará com TORTURA
    Enquanto a memória
    jura
    Que todas as outras
    rimas
    lhe serão caras
    presas e seguras.
     
     
    Caverna 
     
    A caverna que chamo
    Exibe seus tesouros
    Quando, sem desdouro,
    Eu digo: Abre-te, Te amo
     
     
    Intolerância
     
    A plenitude da tolerância
    É a intolerância à intolerância.

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