Colunista Irapuan Sobral

  • Sequestro orçamentário

    04/01/2020

    Que as áreas de educação e saúde são ‘desculpas’ eleitorais, desde que se vota no Brasil, não há dúvidas.
    Os demagogos até conseguem atualizar o discurso, mesmo na aparente impossibilidade de renovação.


    O êxito do sequestro orçamentário em ambas as áreas esconde duas manobras dos ladrões oficiais: fixar percentual compulsório obriga a liberação de verbas, independente da existência de recursos, bem assim a ‘invenção’ de projetos.

    Na saúde, há um predomínio às construções e às compras em grande escala. A licitação foi criada para o poder público comprar caro e o governante roubar. Disso, ninguém mais desconfia.
    Raramente há funcionalidade na obra e fornecimento de material de qualidade.

    Na educação, permitiu-se uma absurda concentração de recursos no ensino superior, seja de forma direta, inventando universidades e cursos, seja de forma indireta via FIES.

    Esses dois modelos são excelentes meios de concentração de renda, que se vendem como apelo social.

    Se o governo terceirizasse os serviços, VENDENDO OS MERCADOS QUE MONOPOLIZA, e concedesse às famílias esses recursos para que elas gerenciassem o pagamento - e o consumo, seria muito mais prudente.

    Como esse monopólio miserável atrai todo tipo de ladrão, VESTIDO SEMPRE DE TAUMATURGO, é preferível que os recursos cheguem às famílias, minguando no orçamento, porque tubarão não morde piaba.

    No Egito bíblico, José ensinou que esses ciclos econômicos, com intervenção e ausência do poder público, devem ocorrer, sempre que algum motivo cultural ou sazonal interfira no processo econômico.

    Nesta fase brasileira atual, com predomínio de governantes ladrões, é preferível que a população acesse o orçamento.
    “Dixi et salvavi animam meam.”

  • Sexo

    01/05/2017

     

     
    Seios, lábios e genitais
    São lembranças úmidas
    de que à água
    misturamos do paraíso
    um rio de vida
     
    desejos e prazeres
    como a reprodução
    são apenas o pecado
    original:
     
    a ilusão - ou desvio
    do retorno
     
    O gozo é o leite -
    derramado
     
    Tempo
     
    Em que teta do tempo
    suga-se o leito
    de eternidade
     
    O tempo foi
    tirado
    do céu quando
    um planeta parado
    se envolvia de
    estrelas
     
    Mas a Terra
    andou
    feito o céu
    que desapareceu
    com a eternidade
     
    para nao ser visto
     
    e deixou
    o sol
    e as hipóteses
    e as teorias
     
    até a lua anda
     
    e o tempo
    continua 
    pensando
    que estamos 
    parados
    e ele contando
     
     
    Corpo
     
    O encaixe do espaço no tempo
    Úmido - no leito
    deitado
    derramado
     
     
     
    Poesia
     
    Fazer poesia
    é brincar de dias
    e memorias.
     
    em algum idioma existente
    até a lembrança
    do poeta, o poema rima
    a sina.
     
     
    Estilo
     
    Não há.
    Até que uma roupa
    velha de desuso
    acuse
     
     
    Forma
     
    Sobras da fôrma
    tiram na substância
    a forma
     
     
    Espaço
     
    Esquentava
    o ar
    pelas narinas,
    Para faze-lo
    deixar 
    o nada
    ocupar o espaço -
    por omissão.
     
     
     
    Passada
     
    Passado em poesia
    não é tempo
    é roupa
    dobrada para guardar
    sem as marcas da lavagem
    torcida - liquidada
    pronta para usar
     
     
    Jurisprudência
     
     
    O perdão não devolve 
    a mesma pessoa
    Mas plastifica a cicatriz.
    Com o silêncio eterno
    do fato, a que os advogados
    chamariam
    jurisprudência.
     
     
    Substantivos
     
    São descansos 
    Materiais
    Mesmo os abstratos
    Quando tentam a imagem
    Carecem da transcendência
    E se submetem ao verbo!
     
     
    GRITO
     
    A palavra DITA-DURA
    será comum
    em qualquer idioma;
    Rimará com TORTURA
    Enquanto a memória
    jura
    Que todas as outras
    rimas
    lhe serão caras
    presas e seguras.
     
     
    Caverna 
     
    A caverna que chamo
    Exibe seus tesouros
    Quando, sem desdouro,
    Eu digo: Abre-te, Te amo
     
     
    Intolerância
     
    A plenitude da tolerância
    É a intolerância à intolerância.

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