Biden pede união em discurso de posse: ‘A democracia prevaleceu’

20/01/2021
Biden discursa durante cerimônia de posse nos EUA. (Foto: Patrick Semansky/Reuters)
Biden discursa durante cerimônia de posse nos EUA. (Foto: Patrick Semansky/Reuters)

 O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, pediu união em seu primeiro discurso à frente do cargo. Durante a cerimônia de posse, realizada no início da tarde desta quarta-feira, 20, o presidente afirmou que a democracia prevaleceu e prometeu ser o presidente dos americanos que o elegeram e dos que votaram em seu opositor, Donald Trump.

“Vivemos a nação que queremos ser e podemos ser”, disse Biden. Ele agradeceu a presença de integrantes de ambos os partidos na cerimônia de posse. “Sei da resiliência da nossa Constituição e da força de nossa nação”.

Biden reconheceu que o país atravessa um momento conturbado, mas afirmou que o momento de dificuldade traz consigo grandes oportunidades. “Poucas pessoas em nossa história viveram momentos mais difíceis do que o que estamos vivendo neste momento”, disse, referindo-se a pandemia do novo coronavírus e seus prejuízos econômicos nos EUA e no mundo. Também criticou o supremacismo branco e o terrorismo doméstico, desafios que prometeu ‘vencer’.

“Precisamos de mais que palavras, precisamos de uma das coisas mais difíceis de uma democracia: a união”. E completou: “Peço que todos os americanos façam o mesmo comigo nesta causa: unidos para combater os inimigos que temos, a raiva, ressentimento, extremismo, ilegalidade, violência, doenças, desemprego. Juntos, podemos fazer coisas grandes e consertar erros”.

Biden também fez um apelo pela defesa da boa política, afirmando que política não tem que ser “incêndio que destrói tudo a sua frente”.  “Tanta discórdia não precisa levar a guerras. Precisamos rejeitar a cultura onde fatos são manipulados e inventados. Caros americanos, temos de ser diferentes. Os EUA têm de ser melhor do que isso. E creio que EUA são muito melhor do que isso”, afirma.

Biden defende também defendeu o direito de ‘discordar em paz’ e afirmou que seria o presidente de todos os americanos, independente de terem votado nele ou não. “Lutarei tanto pelos que não me apoiaram quanto pelos que me apoiaram”.

Ele diz que a verdade dos fatos precisa prevalecer e pede o fim da guerra do rural contra urbano, republicano contra democrata, conservador contra liberal. “Conseguiremos isso se abrirmos nossa alma”.

O presidente ressaltou também o fato de estar junto de Kamala Harris, a primeira vice-presidente negra da história e exalta o local onde Martin Luther King fez seu famoso discurso de 1963 em defesa dos direitos dos negros, e listou os grandes desafios que sua gestão terá pela frente, como a pandemia do coronavírus, as mudanças climáticas e o próprio papel dos Estados Unidos. “Há muito a ser feito. E uma certeza: prometo a vocês, nós seremos julgados por como vamos lidar com essa crise da nossa era”.

 

Aceno ao multilateralismo

Em parte do discurso que direcionou “aos que nos ouvem além de nossas fronteiras”, Biden afirmou que os Estados Unidos vão retomar o protagonismo no cenário internacional. “Vamos liderar não só pelo exemplo da nossa força, mas pela força do nosso exemplo”, disse o presidente.

De acordo com Biden, durante sua gestão, os EUA serão um parceiro forte e confiável e voltará a participar das negociações internacionais, em claro sinal de que irá reverter a política isolacionista adotada pelo seu antecessor, Donald Trump.



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