Rachaduras e plantas no concreto mostram que obra da Transposição pode cair no esquecimento

17/07/2019
Uma obra contra a seca de R$ 8,8 bilhões, imaginada no século 19, e que virou realidade quando um dos dois eixos foi inaugurado em março de 2017, pode estar sendo renegada ao esquecimento
Uma obra contra a seca de R$ 8,8 bilhões, imaginada no século 19, e que virou realidade quando um dos dois eixos foi inaugurado em março de 2017, pode estar sendo renegada ao esquecimento

 Uma obra contra a seca de R$ 8,8 bilhões, imaginada no século 19, e que virou realidade quando um dos dois eixos foi inaugurado em março de 2017, pode estar sendo renegada ao esquecimento.

 

 
 

Construída nos governos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), e Dilma Rousseff (PT, como parte da expressiva votação recebida pelos petistas no Nordeste, e entregue pelo então presidente Michel Temmer (PMDB), a Transposição do Rio São Francisco está abandonada na Paraíba.

A obra projetada como redenção do Nordeste e que custou milhões aos cofres públicos, se encontra com as estruturas de concreto estouradas e com rachaduras, vergalhões de aço abandonados e diversos trechos em que o concreto fica lado a lado com a terra seca do Sertão e Cariri nordestino.

A última vez que o canal da Transposição das Águas do Rio São Francisco recebeu água foi há mais de três meses. A água que devia seguir para o açude Epitácio Pessoa em Boqueirão, deu lugar plantas nas margens e dentro do canal de concreto, conforme denúncia dos moradores. Devido o abandono, os paredões de concretos apresentam rachaduras. Em alguns pontos, as árvores dentro do canal têm mais de um metro de altura. Os moradores ribeirinhos também têm passado dificuldades na região.

As águas da Transposição começaram a chegar na Paraíba no Eixo Leste no dia 08 de março de 2017. A obra, que foi iniciada na gestão do ex-presidente Lula (PT) e concluída com o ex-presidente Michel Temer, prometia garantir a segurança hídrica para cerca de um milhão de pessoas que seriam beneficiadas com o projeto, contemplando 35 cidades da Paraíba e de Pernambuco.

O Eixo Leste é composto por 217 km. São seis estações de bombeamento, cinco aquedutos, um túnel e 12 reservatórios. A chegada da água por meio da transposição do Rio São Francisco, marcou a realização de um sonho.

O açude Epitácio Pessoa em Boqueirão recebeu o abastecimento em abril de 2017 quando registrava apenas 2,9% de capacidade, o menor volume desde a abertura da represa, em 1957, quando Juscelino Kubitschek era presidente.  Inaugurado em abril de 2017, a água levou 38 dias para encher os 110 quilômetros de leito seco do rio Paraíba entre o açude e o final do canal da transposição do Eixo Leste. Em agosto, a capacidade do açude Boqueirão saiu do volume morto (8,2%) e encerrou 33 meses de racionamento em Campina Grande.

Só que os seguidos reparos e a suspensão do bombeamento do Eixo Leste, frustrou os paraibanos. Uma das  interrupções no bombeamento ocorreu a pedido do Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (Dnocs) no Ceará. A suspensão da vazão seria necessária para realização de captação do sistema adutor do Pajeú.

Desde 2017 o Ministério Público Federal vem acompanhando, juntamente com o Ministério Público Estadual, a manutenção das obras do Eixo Leste da Transposição do Rio São Francisco “O MPF pedirá informações ao Ministério do Desenvolvimento Regional sobre as supostas rachaduras e mato no canal, caso os fatos cheguem ao conhecimento do órgão”, afirma em nota o MPF.

Marcada por controvérsias, a obra da transposição começou a sair do papel em 2007 e, no ano seguinte, com os canteiros em pleno funcionamento, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e sua então ministra-chefe da Casa Civil e mãe do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) fizeram uma vistoria pela região para fazer propaganda da ação. Dez anos depois, foi inaugurada no governo de Michel Temer, mas na era do presidente Jair Bolsonaro (PSL), o projeto ainda não experimentou avanços.

Severino Lopes




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