Colunista Suetoni Souto Maior

  • Afastamento de Dilma completa 10 anos; senadores paraibanos que aprovaram impedimento estão fora da política

    16/05/2026

     Há exatos 10 anos, o Senado brasileiro afastava do governo, no segundo mandato, a primeira mulher eleita para comandar o país, a ex-presidente Dilma Rousseff (PT). A petista foi acusada de crime de responsabilidade e, sem apoio político, teve o processo de impeachment aprovado pela Câmara dos Deputados e, depois, no dia 12 de maio daquele ano, confirmado pelo Senado. O processo teve fim em 31 de agosto, quando o colegiado cassou o mandato da petista em definitivo.

    Neste processo, pelo menos dois dos três senadores paraibanos da época tiveram grande importância. Cássio Cunha Lima (PSD) vocalizava os interesses da oposição, que havia visto seu aliado, Aécio Neves (PSDB), ser derrotado pela petista no pleito de 2014. E Raimundo Lira (MDB) presidiu a comissão processante, que resultou na cassação.

    O outro senador paraibano da época, José Maranhão (MDB), teve posição mais modesta no processo, mas, assim como os outros dois, votou pela cassação. Dois anos depois, os três deram adeus à política eleitoral. Raimundo Lira não disputou a reeleição, enquanto que Cássio foi derrotado na disputa. Já Maranhão tentou se eleger governador e sequer conseguiu chegar no segundo turno. Ele faleceu em 2021, vítima da Covid-19.

    Naquela votação no Senado, uma Dilma Rousseff sem apoio popular nem político teve o seguimento do processo de impeachment aprovado com o voto de 55 senadores a favor e 22 contrários. O placar aumentou na sessão de 31 de agosto, que foi finalizada com 61 votos a favor e 20 contrários. No seu lugar assumiu o vice, Michel Temer (MDB), que também se equilibrou entre ameaças de impeachment por causa de escândalos de corrupção.

    O clima de instabilidade gerado também pelo avanço da operação Lava Jato pavimentou o movimento que resultou na eleição do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), em 2018. Ele também não conseguiu renovar o mandato e está preso por suspeita de ter chefiado uma tentativa de golpe após ser derrotado nas eleições de 2022.

    Na época do impeachment, os petistas contestavam a tese de crime de responsabilidade e alegavam golpe parlamentar. A tese foi amplamente propagada pelo ex-advogado-geral da União, José Eduardo Cardozo, que subiu à tribuna para classificar o processo como golpe e acusar uma “injustiça histórica”.

    “Há golpe com direito de defesa, justamente para simular a sua legitimidade. E é o que ocorre nesse processo. Está-se, neste momento, condenando uma mulher honesta e inocente. Está-se, neste momento, utilizando um pretexto jurídico para acusar uma presidente da República legitimamente eleita de atos que todos os governos anteriores praticaram”, afirmou na ocasião.

    Atualmente, Dilma Rousseff comanda o banco do Brics, com sede na China.

    Por Suetoni Souto Maior

  • Pedro não admite, mas há muito seu comportamento é de ex-candidato

    28/11/2025

     O aperto de mãos entre o prefeito Cícero Lucena (MDB) e o ex-deputado federal Pedro Cunha Lima (PSD), registrado pelo comunicador Fábio Targino, do PBAgora,  foi carregado de simbolismos. Não era ainda, mas pareceu uma passagem de bastão. De um quase (ex) pré-candidato para um pré-candidato ao governo.

    E esta foi a leitura comumente feita após a publicação. Agora, se rememorarmos, mesmo bem posicionado nas pesquisas, há muito Pedro Cunha Lima não demonstra interesse pela disputa.

    Se puxarmos pela memória, enquanto Cícero Lucena, Lucas Ribeiro (PP) e Efraim Filho (União) encampavam uma busca frenética por votos, não raro Pedro aparecia nas redes sociais lendo, na praia ou jogando videogame.

    Por causa disso, abriu as lacunas hoje ocupadas por Cícero. O prefeito saiu da base governista e foi galgando espaços na oposição. Ele se filiou ao MDB e puxou o senador Veneziano Vital do Rêgo para o seu projeto.

    No dia da filiação de Cícero, o tio de Pedro, Ronaldo Filho, fez as vezes de representante da família Cunha Lima no ato. E aos poucos, o grupo vai falando em construção da unidade na oposição, com o ex-deputado cada vez menos candidato.

    Em entrevista à rádio Arapuan, nesta quinta-feira (26), o deputado falou sobre a reunião que teve com o presidente do PSD, Gilberto Kassab, e das dificuldades de manter sua pré-candidatura. Relatou que não será candidato de si mesmo e pregou unidade.

    Se isso é um adeus em definitivo ao projeto eleitoral, saberemos em breve. Mas a verdade é que os espaços no bloco onde ele pede unidade estão ficando mais raros.

    Por Suetoni Souto Maior

  • Pressionado, Hugo Motta dá aval a proposta de plebiscito sobre anistia

    14/04/2025

     O deputado Hugo Motta (Republicanos-PB) deu o aval para que seu colega de partido, Ricardo Ayres (TO), inicie a coleta de assinaturas para um requerimento de urgência que pode abrir caminho para um plebiscito nacional. A ideia é consultar a população, junto com as eleições de 2026, sobre a possibilidade de anistia aos condenados pelos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023.

    A pergunta proposta para ir às urnas é direta:
    “Você é a favor da anistia dos réus dos atos ocorridos na sede dos Três Poderes, em Brasília, no dia 8 de janeiro de 2023?”

    A resposta da população vai ditar os próximos passos da Câmara. Se a maioria votar “sim”, os deputados irão apreciar a proposta de perdão. Caso o “não” vença, o assunto será enterrado — ao menos oficialmente.

    O argumento dos articuladores é simples: trata-se de um tema controverso e a decisão precisa ser da população. Na prática, o plebiscito serviria como uma blindagem política para parlamentares que não querem pagar o preço de votar diretamente a favor ou contra a anistia. Jogam para o povo uma bomba que, até aqui, tem dividido o país e o Congresso.

    O movimento surge num momento em que cresce, nos bastidores, a pressão de aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro para reverter as condenações impostas pelo STF. A narrativa da “perseguição” ainda é forte entre setores da direita radical, e o plebiscito pode ser a tentativa mais ousada — e institucionalizada — de reverter as penas já aplicadas.

    Resta saber se o requerimento vai angariar as 171 assinaturas necessárias para tramitar com urgência. E, mais adiante, se o Congresso está disposto a colocar em votação uma pergunta que, na prática, reabre o debate sobre um dos episódios mais graves da história recente da democracia brasileira.

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