Colunista Demétrius Faustino

  • Essa "Praga" vai passar

    19/05/2021

    Tudo ainda continua indecifrável e obscuro, pois o vírus invisível não é percebido pelos que não expressam sintomas, mas mata indistintamente. Começou matando os velhos, depois aqueles com comorbidade, e agora, jovens saudáveis.

    Mesmo assim ainda persiste as situações contraditórias, pois há os apavorados que têm medo até da própria sombra, seguem o distanciamento social à risca, lavam com álcool as compras e usam luvas até para ler jornal. Paradoxalmente, há as pessoas que não se importam com os resultados de seus atos, porquanto se aglomeram, e lançam salpicos de saliva sem guardar a mínima distância de segurança.

    A única certeza é que essa alongada constância da pandemia atinge profundamente a alma humana, franqueia a desumana divisão entre incluídos e excluídos, mas todos, sem ruptura da regra, submissos à indefinição.

    E para completar ainda tem o fato de que muitas pessoas nem sempre podem contar com a ajuda solidária na permanente procura de um sentido para a vida.

    Nesse aspecto, e para esquecer um pouco da praga desse vírus no planeta, é aconselhável leituras para quem gosta de ler, canto para quem canta, composição para quem compõe, fazer poesia para quem é poeta. Essas atitudes podem auxiliar a manter o rumo e a diminuir as instabilidades entre a aflição e o desespero, a sofreguidão.

    Ainda mais porque, cremos, a pandemia da Covid não é o fim da história. Ela tem mais a performance de ser uma espécie de teste, embora feroz demais para que a humanidade aprenda que a natureza suportou pacientemente nossa falta de organização e respeito por uns milhões de anos, e nesse momento parece não estar mais a fim de conter a onda.  

    Em momentos pretéritos, e para garantir nossa existência, tivemos que sacrificar outros animais. Posteriormente, sofismamos a agricultura, e extraímos da terra o que era dela. Depois fizemos uma revolução, ao concebermos máquinas para nos aliviar ou nos preparar para a imprescindível guerra. Assim sendo, interferimos no tempo e no espaço e o resultado foi poluir tudo. Nos restou explodirmos bombas para tirar a dúvida de quem tem mais vigor e merece ficar com o melhor pedaço do defunto planeta terra. Ou fazemos uma conciliação com a natureza ou é melhor desistir de sobreviver. 

    Assim como ninguém sabe quando e como vai passar essa praga no planeta, ninguém pode saber como será o mundo depois que ela for embora. Isso é, se ela um dia aceitar ir embora. Quantas cepas ainda se diversificarão por aí?

    Essa dificuldade de resposta persevera mesmo quando consideramos que existem oito vacinas que acautelam a doença e pelo menos 125 países e territórios que já começaram a imunizar suas populações. 

    Demétrius Faustino

  • DESORDEM INSTITUCIONAL

    09/03/2019

     Passou o carnaval e o governo Bolsonaro ainda não se deu conta do seu caráter parasitário e da sua desordem nadacondizente com o quesito administrar, pois até o momento só se vê bate-boca entre o pai presidente e os filhos parlamentares. Essa falta de ar puro, dmuita afobação e disse-me-disse, vai custar caro.

    Até o ex-presidente Fernando Henrique Cardosodisse com toda a fala que “todo início de governo é desordenado, mas o atual está abusando”. Segundo FHC, os familiares do presidente não podem colocar “lenha na fogueira”, pois o fogo afeta o país.

    Ora, o filho mais velho Flávio Bolsonaro não tem nenhuma moral para se utilizar de ataques infundados, cujo objetivo precípuo é o de gerar notícias sensacionalistas, pois precisa mesmo é explicar sobre o escândalo de seu assessor Fabrício Queiroz, após o Coaf descobrir movimentações atípicas em suas contas; O Eduardo Bolsonaro, irrelevante como parlamentar, mas bom de ofensa,disse em bom som que para fechar o STF basta um cabo e um soldado, no que obrigou o Messias a pedir desculpas à Suprema Corte. Já o Flávio Bolsonaro chamou o ministro Gustavo Bebianno de mentiroso.

    Sem esquecer de alguns ministros, que vem causando vexames:

    escolhido para o cargo de ministro da Educação, o filósofo colombiano Ricardo Vélez Rodríguez, que é um ferrenho crítico das idéias do pernambucano Paulo Freire, chamou os brasileiros de ladrões e disse que eles roubam até hotéis quando viajam ao exterior: O brasileiro viajando é um canibal. Rouba coisas dos hotéis, rouba assento salva-vidas do avião; ele acha que sai de casa e pode carregar tudo. Esqueceu essa autoridade, que a terra dele é conhecida no mundo inteiro, apenas em razão do tráfico de drogas.

    O ministro disse ainda que vai acabar com as cotas e com a universidade pública; E ainda tem aquela estória de cantar o hino nacional nas escolas, pedir autorização dos pais para que seus filhos sejam filmados, e ao final pronunciar o slogan de campanha do seu Jairsó não conseguiu porque seu abuso de poder foi alvo de denúncia.

    A ministra da Mulher, Família e Direitos Humanos, Damares Alves, disse num vídeo que viralizou nas redes sociais, ter visto Jesus subindo numa goiabeira, e que “meninos vestem azul e meninas vestem rosa”. Ou seja, a ministra de Bolsonaro virou meme na internet.

    Outro desconhece personagens importantes da História do Brasil, quando não soube dizer quem foi Chico Mendes.

    E o pior: há quem outorgue a responsabilidade dos erros desse governo aos filhinhos do presidente, na tentativa de eximí-lo. Mas afinal, quem é o Chefe? Não é à toa que o vice Hamilton Mourão andou falando por  que o “presidente vai botar ordem na rapaziada”. Só não se sabe quem vai botar ordem no presidente né Mourão!

    Prá completar o firo, vem os áudios das conversas entre o presidente Jair Bolsonaro com o Gustavo Bebianno, onde o presidente se utiliza de desculpas desprovidas de lógica para demitir o ex-ministro, usando inclusive os filhos para criar um clima adequado.

    O fato é que, há uma crise política e administrativa nas hostes palacianas, e com isso, governar que é bom, nada.

    E essa última atitude do presidente em postar um vídeo em rede social com cenas em que o tweet considerou como de “conteúdo sensível”, e que gerou revolta entre internautas, foge dos termos da instituição presidência da República.

    Parece que o governo ainda não tomou posse, pois ainda está vivendo e aprendendo a jogar.

     Por Demétrius Faustino

  • ESQUENTAI VOSSOS PANDEIROS

    11/07/2017

     A legitimidade da origem do samba será sempre um tema a ser discutido, porquanto há controvérsias entre os estudiosos. Mas em sua grande maioria, pesquisadores relatam que o samba nasceu há mais ou menos cem anos, e cujos antepassados sem indicar dentro de uma ordem cronológica, são os cantos africanos, lundu, o batuque, o jongo ou caxambu. E no Brasil trazem-nos o registro de uma desmedida mistura de ritmos e tradições, cujas origens provem dos antigos batuques trazidos pelos africanos que vieram como escravos para o Brasil.

    Entre tantas polêmicas, cremos, pois, que a música “Pelo Telefone”, composta por Ernesto Joaquim Maria dos Santos, conhecido popularmente por Donga, apesar de alguns especialistas contrariarem essa afirmação de forma contundente, no sentido de que a letra dessa canção seria do jornalista Mauro de Almeida, é considerado o primeiro samba a ser gravado no Brasil, segundo a maioria dos estudiosos, e a partir dos registros existentes na Biblioteca Nacional no Rio de Janeiro, onde ali há um relato de que foi o sucesso do Carnaval de 1917. “Pelo Telefone” então, é de fato, a estréia do gênero, apesar de entendermos que se trata de um maxixe.

    Nota-se pela letra de “Pelo telefone” a primeira delação premiada da corrupção no Rio de Janeiro, pois as armações do chefe de polícia foram denunciadas, a despeito de Donga, em depoimento no Museu da Imagem e do Som, ter dito que a letra original é “o chefe da folia”, onde se conclui que qualquer semelhança com os dias de hoje não é mera coincidência.

    Se fictício ou real, não se sabe ao certo, mas é consenso o fato de que foi no balneário de São Sebastião, região central do Rio, que o samba evoluiu de forma brilhante, sob o comando das Tias Baianas.

    E Zé Kéti, cantaria mais tarde: “Eu sou o samba/Sou natural daqui do Rio de Janeiro/ Sou eu quem levo a alegria/ Para milhões de corações brasileiros.” 

    Por mais que a nossa historiografia os tenha desprezado, os negros baianos radicados no Rio principiaram novos costumes, hábitos, e valores que inspiraram a cultura carioca, a exemplo do samba.   

    E a permanência do samba no cenário, dá-se porque ele traz em sua substância a dor da alma africana e o dom antagônico de produzir alegria.

    “O samba é o cidadão que move musicalmente o Brasil. Humilde, a ele bastam um cavaquinho, um pandeiro, um tamborim e um intérprete. Ele se sujeita a tudo, já correu da polícia, enfrentou o preconceito da alta sociedade, mas sempre tem alguém para lhe acudir”.

    Quem assim define o samba é o axiomático Nelson Sargento, uma das mais altas patentes do gênero, que com sensibilidade de poeta compôs um vaticínio em forma de clássico: “Samba, agoniza, mas não morre, alguém sempre te socorre antes do suspiro derradeiro”. 

    O fato é que o samba é considerado por muitos críticos de música popular, artistas, historiadores e cientistas sociais como o mais original dos gêneros musicais brasileiros ou o gênero musical tipicamente brasileiro. 

    Brasil esquentai vossos pandeiros.

     

     

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