Colunista Josival Pereira

  • Josival Pereira avalia possíveis estratégias de Lucas, Cícero e Efraim para enfraquecer adversários

    16/05/2026

     O jornalista Josival Pereira levantou algumas hipóteses no programa Olho Vivo, da Rede Diário do Sertão, acerca das possíveis estratégias que os pré-candidatos ao governo da Paraíba podem utilizar contra seus adversários até o período de campanha. Pereira considera que a disputa ficará entre o vice-governador Lucas Ribeiro (PP); o prefeito de João Pessoa, Cícero Lucena (MDB), e o senador Efraim Filho (União).

    Segundo ele, a pré-candidatura de Lucas é ‘natural’ e pode ser vista como a favorita porque tem o apoio da base do governador João Azevêdo e tem a ‘estrutura de poder’ à sua disposição. Cícero, por sua vez, consolida sua pré-candidatura com a confirmação do apoio da família Cunha Lima. Já o senador Efrim Filho conta com a adesão da ala bolsonarista.

    “Ainda é muito cedo para se fazer conjecturas. Nós estamos numa fase de campanha eleitoral que eu costumo dizer que é a fase subterrânea. Nesse momento, todos os candidatos estão mergulhados em tentar conseguir esse ou aquele apoio. Numa primeira fase, os candidatos foram às ruas, às cidades, para cosolidar uma certa vantagem nas pesquisas. Algumas candidaturas não conseguiram segurar. Então, três estão segurando com mais potencialidade e mais estrutura”, disse Josival.

    As possíveis estratégias

    Na avaliação de Josival Pereira, o governador João Azevêdo pretende ‘transferir’ seus votos conquistados no interior do estado para Lucas Ribeiro, de modo que possibilite a vitória de Lucas, mesmo que eventualmente ele perca em Campina Grande e João Pessoa.

    Cícero Lucena precisa de vitórias ‘esmagadoras’ em João Pessoa e Campina Grande, ao tempo em que pretende reduzir a força de João Azevêdo no interior. Porém, segundo Josival Pereira, Cícero não tem conquistado tantos apoios de prefeitos, mas de outras lideranças políticas de menor força nos municípios.

    Outra suposta estratégia do prefeito de João Pessoa é estar se aproximando do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para provocar uma polarização entre a direita bolsonarista e a esquerda lulista, isolando Lucas Ribeiro na disputa.

     

    Finalmente, Efraim Filho deverá apostar suas fichas no bolsonarismo com o qual ele se aliou recentemente, tendo sido, inclusive, um dos anfitriões da visita da ex-primeira-dama Michele Bolsonaro a João Pessoa, quando anunciou a pré-candidatura dele ao Governo do Estado.

    Por Josival Pereira

  • ELEIÇÕES 2026 - Cícero Lucena (MDB) já ganhou a disputa com o senador Efraim Morais (União) na disputa ao Governo

    23/10/2025

     O prefeito Cícero Lucena (MDB) já ganhou a disputa com o senador Efraim Morais (União) em torno do apoio do grupo Cunha Lima.

    As conversas políticas avançaram nos últimos dias e o ex-senador Cássio Cunha Lima teria conseguido dobrar as resistências do ex-deputado Pedro Cunha Lima, que deverá ser o candidato a vice-governador na chapa de Cícero.

    Do ponto de vista da posição política, Pedro teria sido convencido que é melhor para sua imagem a aliança de centro-esquerda com Cícero e Veneziano do que a aliança de direita mais próxima ao bolsonarismo do senador Efraim Morais.

    Um acordo com o presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, para composição de uma chapa de candidatos a deputado Federal com Mersinho Lucena e Wellington Roberto também pesou. Pedro não teria como contrariar o maior interesse de Kassab, que é aumentar a bancada federal. De sobra, o PSD ainda terá o candidato a governador.

    Outro fator com forte influência na decisão teria sido a mudança da conjuntura política nacional, gerando perspectiva plausível de reeleição do presidente Lula.
    No jogo de estratégias políticas, o senador Veneziano Vital do Rego passaria a ser mais importante do que o senador Efraim Filho.

    Nas avaliações locais, o sentimento é que a aliança com Cícero Lucena dá volume à oposição, produzindo um fato imediato para além da consolidação da chapa, que é, em tese, criar, para a propaganda, uma perspectiva de vitória desde o início da campanha.

    Para o prefeito Cícero Lucena, a aliança com o grupo Cunha Lima é essencial para o projeto de candidatura porque produz a sensação de força majoritária nos dois maiores colégios eleitorais do Estado (João Pessoa e Campina Grande), produzindo impacto significativa nos grupos de oposição em todo o Estado.

    Por Josival Pereira

  • Cúpula bolsonarista parece não querer a aprovação da anistia

    14/04/2025

     A impressão que vai se evidenciando nos últimos dias é que a cúpula do bolsonarismo não deseja a aprovação do projeto de lei de anistia para os envolvidos nos atos democráticos de 8 de janeiro de 2023. O movimento está se revelando muito mais um pretexto para batalhas políticas mais amplas do que propriamente para promover a defesa dos condenados. E se, de fato, a pretensão é a anistia, a querem de uma forma que não seja razoavelmente plausível, aceitável em seu processo de tramitação no Congresso.


    O confronto um tanto truculento publicamente aberto com o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, inicialmente pelo deputado Eduardo Bolsonaro, e depois pelo pastor Silas Malafaia, na manifestação da

    avenida Paulista (SP) no domingo (6/4) e radicalizado durante a semana, parece sinal eloquente que os bolsonaristas não querem a aprovação do projeto da anistia.

    Na verdade, o confronto direto com Motta já estava sendo ensaiado em Brasília, na Câmara dos Deputados, com manifestações de protestos de parlamentares da bancada do PL, liderados pelo pastor Sóstenes Cavalcanti, e a tentativa de obstruir a pauta de votação.

    Quem conhece o mínimo do Congresso sabe que a lógica para se pautar um projeto de lei, com a intenção verdadeira de aprovação, o caminho a seguir é o da negociação. Peitar o presidente da Câmara ou do Senado ou tentar convencer lideranças partidárias no grito, na pressão, é a opção de quem não deseja a aprovação do projeto supostamente interessado.

    Evidente que o deputado Hugo Motta não parece disposto a se deixar desmoralizar logo no início de sua gestão à frente da presidência Câmara dos Deputados. Por isso, as duras críticas dirigidas a ele mais parecem uma tática para radicalizar o processo e emperrar a tramitação mais rápida do projeto.

    Quais seriam, então, as intenções do bolsonarismo?

    Repassando os fatos, talvez não seja absurdo suspeitar que existam intenções malévolas por traz do projeto da anistia patrocinado pelo PL. Lembre-se, por exemplo, que na origem a discussão girava em torno da revisão de penas supostamente excessivas. O projeto de anistia, no entanto, é amplo e irrestrito não apenas para todos aqueles que invadiram e depredaram o Congresso, Supremo Tribunal e o Palácio do Planalto, mas também para os que financiaram e planejaram os atos mais violentos que se tem notícia contra a sede dos três poderes no Brasil.

    A anistia do jeito que está proposta é uma ode à impunidade não apenas de violentadores e ameaçadores da democracia, mas à violência de uma maneira geral. Se se pode quebrar tudo no centro dos três poderes, por que não pode aqui em baixo, na planície?

    A aprovação do projeto de anistia nos moldes em que está concebido não tem como não ser considerada uma violência contra o Supremo e novamente contra a democracia. Seria uma nova tentativa de golpe, mais bem sucedida.

    Talvez a principal intenção por trás do projeto de anistia seja efetivamente a de tentar desmoralizar o STF, com aprovação ou não. Desmoralizando as condenações aplicadas aos envolvidos no dia 8 de janeiro, com dúvidas sobre a correção das mesmas, o Supremo perde força para condenador o ex-presidente Jair Bolsonaro e os generais associados aos planos de impedir a posse ou derrubar o presidente Lula. Como a aprovação da anistia ampla a todos os envolvidos parece improvável, a defesa do projeto vai virando movimento de vida ou morte para Bolsonaro. A possível revisão de penas não o beneficia. Assim, a ideia parece ser radicalizar nos atos políticos.

    A intenção ultima, porém, talvez seja a de radicalizar para conseguir pautar a votação da urgência na tramitação do projeto de anistia. Seria uma demonstração de força capaz de emperrar o funcionamento da Câmara dos Deputados e gerar uma crise institucional suficiente para paralisar o governo, além de confrontar o Supremo Tribunal Federal (STF). Bastaria a instalação oficial do debate sobre a anistia para se iniciar o caos político com o objetivo de preparar o terreno eleitoral de 2026 para a direita.

    Em suma, pela forma como está sendo encaminhada, as intenções do movimento em defesa da anistia torta aos envolvidos nos atos antidemocráticos de 8 de janeiro parecem ser produzir uma crise institucional que afete gravemente o governo Lula e gere um ambiente propício a ataques ao STF no sentido de tornar duvidosas suas decisões. Nesse contexto, o presidente da Câmara, Hugo Motta, é um empecilho a ser removido. Não importa muito os meios e os custos, inclusive as críticas coléricas.

    Por Josival Pereira

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