Colunista Josival Pereira
-
ELEIÇÕES 2026 - Cícero Lucena (MDB) já ganhou a disputa com o senador Efraim Morais (União) na disputa ao Governo
23/10/2025O prefeito Cícero Lucena (MDB) já ganhou a disputa com o senador Efraim Morais (União) em torno do apoio do grupo Cunha Lima.
As conversas políticas avançaram nos últimos dias e o ex-senador Cássio Cunha Lima teria conseguido dobrar as resistências do ex-deputado Pedro Cunha Lima, que deverá ser o candidato a vice-governador na chapa de Cícero.
Do ponto de vista da posição política, Pedro teria sido convencido que é melhor para sua imagem a aliança de centro-esquerda com Cícero e Veneziano do que a aliança de direita mais próxima ao bolsonarismo do senador Efraim Morais.
Um acordo com o presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, para composição de uma chapa de candidatos a deputado Federal com Mersinho Lucena e Wellington Roberto também pesou. Pedro não teria como contrariar o maior interesse de Kassab, que é aumentar a bancada federal. De sobra, o PSD ainda terá o candidato a governador.
Outro fator com forte influência na decisão teria sido a mudança da conjuntura política nacional, gerando perspectiva plausível de reeleição do presidente Lula.
No jogo de estratégias políticas, o senador Veneziano Vital do Rego passaria a ser mais importante do que o senador Efraim Filho.
Nas avaliações locais, o sentimento é que a aliança com Cícero Lucena dá volume à oposição, produzindo um fato imediato para além da consolidação da chapa, que é, em tese, criar, para a propaganda, uma perspectiva de vitória desde o início da campanha.
Para o prefeito Cícero Lucena, a aliança com o grupo Cunha Lima é essencial para o projeto de candidatura porque produz a sensação de força majoritária nos dois maiores colégios eleitorais do Estado (João Pessoa e Campina Grande), produzindo impacto significativa nos grupos de oposição em todo o Estado.Por Josival Pereira
-
Cúpula bolsonarista parece não querer a aprovação da anistia
14/04/2025A impressão que vai se evidenciando nos últimos dias é que a cúpula do bolsonarismo não deseja a aprovação do projeto de lei de anistia para os envolvidos nos atos democráticos de 8 de janeiro de 2023. O movimento está se revelando muito mais um pretexto para batalhas políticas mais amplas do que propriamente para promover a defesa dos condenados. E se, de fato, a pretensão é a anistia, a querem de uma forma que não seja razoavelmente plausível, aceitável em seu processo de tramitação no Congresso.
O confronto um tanto truculento publicamente aberto com o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, inicialmente pelo deputado Eduardo Bolsonaro, e depois pelo pastor Silas Malafaia, na manifestação da
avenida Paulista (SP) no domingo (6/4) e radicalizado durante a semana, parece sinal eloquente que os bolsonaristas não querem a aprovação do projeto da anistia.
Na verdade, o confronto direto com Motta já estava sendo ensaiado em Brasília, na Câmara dos Deputados, com manifestações de protestos de parlamentares da bancada do PL, liderados pelo pastor Sóstenes Cavalcanti, e a tentativa de obstruir a pauta de votação.
Quem conhece o mínimo do Congresso sabe que a lógica para se pautar um projeto de lei, com a intenção verdadeira de aprovação, o caminho a seguir é o da negociação. Peitar o presidente da Câmara ou do Senado ou tentar convencer lideranças partidárias no grito, na pressão, é a opção de quem não deseja a aprovação do projeto supostamente interessado.
Evidente que o deputado Hugo Motta não parece disposto a se deixar desmoralizar logo no início de sua gestão à frente da presidência Câmara dos Deputados. Por isso, as duras críticas dirigidas a ele mais parecem uma tática para radicalizar o processo e emperrar a tramitação mais rápida do projeto.
Quais seriam, então, as intenções do bolsonarismo?
Repassando os fatos, talvez não seja absurdo suspeitar que existam intenções malévolas por traz do projeto da anistia patrocinado pelo PL. Lembre-se, por exemplo, que na origem a discussão girava em torno da revisão de penas supostamente excessivas. O projeto de anistia, no entanto, é amplo e irrestrito não apenas para todos aqueles que invadiram e depredaram o Congresso, Supremo Tribunal e o Palácio do Planalto, mas também para os que financiaram e planejaram os atos mais violentos que se tem notícia contra a sede dos três poderes no Brasil.
A anistia do jeito que está proposta é uma ode à impunidade não apenas de violentadores e ameaçadores da democracia, mas à violência de uma maneira geral. Se se pode quebrar tudo no centro dos três poderes, por que não pode aqui em baixo, na planície?
A aprovação do projeto de anistia nos moldes em que está concebido não tem como não ser considerada uma violência contra o Supremo e novamente contra a democracia. Seria uma nova tentativa de golpe, mais bem sucedida.
Talvez a principal intenção por trás do projeto de anistia seja efetivamente a de tentar desmoralizar o STF, com aprovação ou não. Desmoralizando as condenações aplicadas aos envolvidos no dia 8 de janeiro, com dúvidas sobre a correção das mesmas, o Supremo perde força para condenador o ex-presidente Jair Bolsonaro e os generais associados aos planos de impedir a posse ou derrubar o presidente Lula. Como a aprovação da anistia ampla a todos os envolvidos parece improvável, a defesa do projeto vai virando movimento de vida ou morte para Bolsonaro. A possível revisão de penas não o beneficia. Assim, a ideia parece ser radicalizar nos atos políticos.
A intenção ultima, porém, talvez seja a de radicalizar para conseguir pautar a votação da urgência na tramitação do projeto de anistia. Seria uma demonstração de força capaz de emperrar o funcionamento da Câmara dos Deputados e gerar uma crise institucional suficiente para paralisar o governo, além de confrontar o Supremo Tribunal Federal (STF). Bastaria a instalação oficial do debate sobre a anistia para se iniciar o caos político com o objetivo de preparar o terreno eleitoral de 2026 para a direita.
Em suma, pela forma como está sendo encaminhada, as intenções do movimento em defesa da anistia torta aos envolvidos nos atos antidemocráticos de 8 de janeiro parecem ser produzir uma crise institucional que afete gravemente o governo Lula e gere um ambiente propício a ataques ao STF no sentido de tornar duvidosas suas decisões. Nesse contexto, o presidente da Câmara, Hugo Motta, é um empecilho a ser removido. Não importa muito os meios e os custos, inclusive as críticas coléricas.
Por Josival Pereira -
A vitória de Trump e a luta direita versus esquerda
15/11/2024Depois de algumas centenas de informações e dezenas de opiniões talvez já seja possível traçar observações minimamente aceitáveis sobre as eleições nos Estados Unidos.
No raso, conforme os parâmetros da atualidade, a vantajosa vitória de Donald Trump se configuraria como um arrasador triunfo da direita contra a esquerda, embora soe desconexo e estranho tratar o partido Democrata americano como uma agremiação de esquerda.
Numa simplificação estupidamente frouxa, aceite-se existirem atualmente apenas dois cordões políticos no mundo, caso em que as disputas estariam ocorrendo, sim, entre os movimentos de direita e esquerda, que talvez fosse mais apropriado classificar como movimento radical conservador e movimento progressista. Assim, a vitória de Tramp é do movimento conservador, conduzido pela ultradireita.
Poder da direita
Por que essa distinção seria importante? Para desenganar sobre a ideia que o poder no mundo no âmbito do sistema da chamada democracia ocidental sempre foi dividido entre esquerda e direita. Não é assim. Nunca foi dividido. O poder político nos Estados Unidos, assim como na maioria dos países que hoje integram a União Europeia, amplo território onde reina a democracia representativa, em todos os tempos, sempre foi ocupado pela direita capitalista. A esquerda socialista nunca governou os Estados Unidos da América.
Experiências da esquerda
As poucas experiências de poder da esquerda socialista e democrática (aquela que acredita chegar ao poder via eleições) estão praticamente concentradas na América Latina. Destaque-se, um pouco lá mais pra trás, o Chile de Salvador Allende, e repetidos governos após o fim da ditadura; no Brasil, a história de poder da esquerda é recente e se resume aos governos Lula e Dilma; no Uruguai existe a experiência de Pepe Mujica, além de governos no Equador, Bolívia, agora na Colômbia, entre outros, nas últimas 10 ou 15 anos.
O que isso quer dizer? Prova que o poder político no vasto território da democracia ocidental consolidada sempre foi da direita e que quase tudo do que se tem estabelecido nos Estados Unidos, América Latina e União Europeia foi construído pela direita, que hoje se debate para tentar desconstruir as poucas experiências de governos de esquerda.
Artifícios da ultradireita
Se existe novidade, são os artifícios utilizados por expressiva parte da direita política nos últimos anos para tomar o poder, a chamada ultradireita ou direita radical, cujo centro da ação do movimento mundial é sabotar a democracia e instruir regimes autocráticos., de força, crescentemente antidemocráticos.
Esse movimento da ultradireita radical mudou substancialmente a tônica do discurso e, sobretudo, o jeito de fazer política e campanhas eleitorais. É a partir deste ponto que se torna possível entender as razões e nuanças da vitória de Trump.
Fio de identidade
O principal eixo do jeito de fazer política da direita radical, que Trump usa e abusa, é o da geração de um poderoso fio de atração e identificação com o movimento. Veja-se o discurso de ódio, os ataques permanentes a adversários e a imprensa, além das críticas constantes ao sistema vigente ou ao governo. Essa tática gera identidade, gera liga, com multidões de cidadãos caminhando meio a esmo na complexa era digital.
As bandeiras de luta do movimento são também quase sempre identitárias. A principal bandeira de Trump na campanha foi o combate a migração, com promessas que beiram a violência e que dificilmente ele próprio as executará. A segurança tem sido outra bandeira infalível. Trump aprofundou esse discurso e deu certo. Criar identidade com o eleitor, é isso o que a esquerda moderna não está conseguindo fazer.
Mentiras à exaustão
O artifício usado em toda pregação política, especialmente nas campanhas eleitorais, é essencialmente o da repetição de mentiras, à exaustão, magistralmente difundido através das redes sociais. A imprensa americana registra amplamente as mentiras de Trump, mas não consegue estabelecer a verdade, e os adversários não conseguem desmascarar. A identidade de discurso plasma sentimento, gera credibilidade e as mentiras viram verdades. Foi com esse artifício que Trump venceu e é assim que a direita radical vai avançando no mundo.
Leitura dos problemas
Trump venceu a eleição americana também pelo artifício de identificar com clareza as fraquezas do governo vigente, que a ultradireita põe tudo na conta da esquerda, e localizar sentimentos particulares de determinados grupos sociais. No geral, por exemplo, foram decisivos a leitura que o custo de vida (elevado, no momento) era o principal problema de grande parte da população e o discurso de que Trump não entrou em guerra no seu primeiro governo. Lá no começo da campanha, enfraqueceu os democratas explorando a fragilidade física do presidente Joe Biden.
Trabalho de estrategistas
Destaque-se ainda o trabalho dos estrategistas que foram capazes, por exemplo, de identificar filões de voto entre os negros (homens mais idosos que continuam cultivando preconceito contra mulheres) e latinos, vítimas do discurso mais repleto de ódio de Trump, historicamente eleitores do Democratas. A brecha, no caso dos latinos, foi se comunicar com homens jovens que passaram a acreditar que barrar a migração, mesmo que repressivamente, é uma forma de proteger os migrantes já residentes nos Estados Unidos. Esses atalhos estratégicos, que ajudam a explicar a vitória de Trump, são amplamente usados pela direita radical. No Brasil, não são poucos os grupos sociais historicamente petistas sequestrados pelo bolsonarismo.
Nem direita nem esquerda
Mas nem tudo é tão favorável à direita radical na identificação de fatores que resultaram da vitória de Trump. Alguns cientistas políticos já começaram a identificar que a luta político-eleitoral nos últimos 10 anos ao redor do mundo não é exatamente entre direita e esquerda. Seria simplesmente entre governo e oposição. Pululam exemplos. Na oposição, Trump derrotou Hilary (Democratas no poder), perdeu para Biden no poder e agora, fora do governo, voltou a vencer. Na América do Sul, esquerda e direita se alternam no poder no Chile a cada eleição; no Perú, Equador e Bolívia houve alternância de poder entre esquerda e direita nas eleições recentes; no Uruguai a esquerda está prestes a voltar ao poder depois de perder para a direita em 2019; no Brasil também se registrou alternância e, na Argentina, o peronismo foi defenestrado do governo por um candidato da direita radical depois de algumas décadas. Na União Europeia também se registram alternâncias significativas e, sobretudo, importantes derrotas, até para a ultradireita, de partidos tradicionais acostumados com o poder. Do outro lado, a ultradireita tem deixado escapar o poder conquistado nas urnas, caso da Polônia, ou tem sofrido derrotas em eleições regionais onde está estabelecida no poder há muitos anos, como foi o caso de Erdogan, na Turquia.
Era da impaciência
Assim, vivendo uma era movida por sentimentos, o motor propulsor das mudanças seria a hipersensibilidade do cidadão-eleitor, que se posta extremamente impaciente com os governos postos.
Por Josival Pereira



