Colunista Josival Pereira

  • PP da Paraíba e de outros Estados impõem resistência à filiação de Bolsonaro, diz jornal

    29/09/2021

    Por Josival Pereira

    O PP da Paraíba e o deputado Aguinaldo Ribeiro estariam impondo resistência à filiação do presidente Jair Bolsonaro ao partido juntamente com lideranças de diversos outros Estados e de outras legendas. 

    A informação consta de reportagem publicada no jornal Extra, edição deste domingo, com o título “PP, Republicanos e PSL e PL impõem resistências a planos de filiação de Bolsonaro”. Os principais problemas ocorreriam nos Estados, onde as legendas já têm alianças adiantadas. 

    No caso específico do PP, segundo a reportagem, além de parte da legenda já se preparar para declarar apoio ao ex-presidente Lula,  Bolsonaro estaria encontrando resistência nos diretórios dos Estados nordestinos da Bahia, Maranhão, Pernambuco e Paraíba. 

    Na matéria, existe um parágrafo que cita o deputado Aguinaldo Ribeiro: “Outro nome de destaque entre os que não são alinhados a Bolsonaro é Aguinaldo Ribeiro (PP-PB), próximo ao ex-presidente da Câmara Rodrigo Maia (DEM-RJ). No início do ano, decidiu não apoiar o candidato do Planalto à presidência da Câmara, o colega de partido Arthur Lira. Ex-ministro das Cidades de Dilma Rousseff, Ribeiro é contra a entrada de Bolsonaro no partido”.

    Diálogo nos Estados

    Em relação ao PP, a reportagem mostra ainda que Bolsonaro teria dificuldades em entrar na legenda em São Paulo, onde o Progressistas integra o governo João Dória, e ainda de concretizar seu plano de ter o controle do partido para o filho Eduardo Bolsonaro. 

    Os próprios aliados de Bolsonaro no PP reconhecem que o partido tem uma característica de respeitar os diálogos regionais e conferir independência aos diretórios estaduais, o que dificultaria o alinhamento total com a campanha do atual presidente. 

    Julian Lemos

    Enumerando os problemas que o presidente Bolsonaro encontra para se filiar ao Republicanos, PL e PSL, a matéria do jornal Extra revela que, recentemente, o presidente da Câmara, deputado Arthur Lira (PP), tentou convencer o presidente nacional do PSL, Luciano Bivar, a reabrir diálogo com o presidente da República em torno da possibilidade de seu retorno à legenda. 

    A notícia destaca que o diálogo não evoluiu e registra que o presidente regional do PSL, deputado Julian Lemos, reiterou que não abre mão do comando da legenda na Paraíba. 

    De acordo com a reportagem, o mais provável é que o senador Ciro Nogueira e o deputado Arthur Lira, diante os obstáculos nas legendas de maior dimensão, recomendem ao presidente Bolsonaro a se filiar em uma legenda de porte menor. Bolsonaro já informou que abriu diálogo com o ex-deputado José Maria Eymael, presidente do partido Democracia Cristã, o DC.

  • Pós 7 de setembro: repercussão e reações, vento e tempestade

    09/09/2021

     Era natural que os atos de protestos comandados pelo presidente Jair Bolsonaro nesta terça-feira, 7 de setembro, tivessem repercussão. Talvez não se imaginasse que viesse no plural, como acabou ocorrendo durante toda a quarta-feira, e numa avalanche de reprovação ao presidente. 

    Na verdade, as reações começaram ainda na terça-feira à noite, com dois importantes partidos políticos – PSDB e PSD – anunciando reuniões ou a criação de comissão para discutir a adesão ao impeachment. 

    Na sequência, outras legendas também abriram discussão sobre a possibilidade de apoiar o pedido de impeachment do presidente. Foram o Solidariedade, MDB e o PDT.

    O PSL e o DEM, partidos da direita, repudiaram o tom do discurso de Bolsonaro e o PL mandou avisar que entregará os cargos se os ataques às instituições não cessarem. 

    A avaliação generalizada é que o presidente Jair Bolsonaro passou dos limites em seu ataque ao ministro Alexandre de Moraes (STF), contra o próprio Supremo e exagerou na perspectiva antidemocrática ao afirmar que não cumpriria algumas decisões da Justiça. 

    A insistência na condenação ao voto eletrônico também foi tomada como um ataque à democracia. 

    O discurso de Bolsonaro na Avenida Paulista, em São Paulo, foi avaliado como crime de responsabilidade por diversos juristas. Acabou virando mote de articulação para apresentação de novo pedido de impeachment. Mais de 10 partidos já discutem o assunto, com a nova fundamentação jurídica. 

    O tom do discurso presidencial foi condenado pelo presidente do Senado, Rodrigo Pacheco. O presidente da Câmara, Arthur Lira, condenou a parte sobre as urnas eletrônicas e o radicalismo político, e até o procurador-geral, Augusto Aras, pediu moderação.

    O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) fez um pronunciamento incisivo em defesa do Poder Judiciário. Disse que ninguém derrubará o Supremo e que os ministros o sustentarão em pé. Sem citar nomes, fez referência ao suposto crime de responsabilidade cometido por Bolsonaro e remeteu ao Congresso a oportunidade do julgamento.

    No mercado financeiro, a bolsa caiu e o dólar disparou. 

    Não resta a menor dúvida de que a grandeza dos atos que tanto agradou ao bolsonarismo tiveram efeito contrário e parecem ter isolado cada vez mais o presidente politicamente. 

    A favor

    No dia seguinte, a favor do presidente, com repercussão, registre-se a permanência de um grupo de caminhoneiros na Esplanada dos Ministérios em Brasília querendo entrar no Senado pela pedir o impeachment dos 11 ministros do STF e o bloqueio de rodovias em 14 Estados por caminhoneiros. 

    Já se fala numa greve de caminhoneiros e em desabastecimento de combustíveis. O problema é que se o país paralisar e a economia for afetada, o governo pode também ser afetado.

    Além da intervenção da Polícia Rodoviária, o governo está garantindo que não haverá desabastecimento e o presidente da maior entidade de caminhoneiros, disse que impeachment de ministros não é pauta da categoria.

    Vento e tempestade

    A ressaca do Dia da Independência dá plena razão à sabedoria popular segundo a qual “quem semeia vento colhe tempestade”.

    Por Josival Pereira

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