Colunista Demétrius Faustino

  • CANÇAÇO NA PARAÍBA I (UM RESUMO DO ATAQUE A SOUSA)

    17/04/2017

     Por Demétrius Faustino

     

    Em 27 de Julho de 1924, um forte grupo de cangaceiros atacou a cidade de Sousa, no alto sertão paraibano, cuja origem dessa investida, diga-se de passagem, bem sucedida, surgiu de um querer de vingança de um fazendeiro de nome Francisco Pereira Dantas, mais conhecido como Chico Pereira, e que vivia num sítio conhecido como Jacu, localizado há alguns quilômetros de Sousa, precisamente nas proximidades da atual cidade de Nazarezinho.

    O pai de Chico Pereira, coronel João Pereira, fora assassinado por questões políticas, e na região corria à boca miúda que os mandantes seriam pessoas de famílias influentes da cidade, a exemplo da família Mariz e da família Rocha. Mas entre estas pessoas o nome mais ventilado era o de Otávio Mariz.

    E nesse pesado clima, em plena feira da cidade, o Sr. Otávio Mariz piora a situação ao chicotear uma pessoa ligada ao coronel Chico Pereira, cujo assunto chega aos ouvidos deste, através da própria vítima de nome Chico Lopes. De logo, o coronel acalorado, envia um recado a Lampião, que se encontrava em Princesa, no sentido de receber seu apoio na efetivação de um ataque contra os seus inimigos, onde em ato contínuo, Lampião que estava incapacitado de se locomover, não podendo atender assim ao pedido pessoalmente, determinou que dois dos seus irmãos (Antônio e Livino Ferreira), e mais uma quantidade de cangaceiros, a exemplo de Sabino, José Cachoeira, Lua Branca e Meia-Noite, seguissem para o Sítio Jacu, juntassem as forças com um grupo de homens armados mantidos por Chico Pereira, e atacassem a cidade.

    O grupo ao se formar, totalizou-se em 84 homens, enquanto que a cidade contava apenas com um destacamento de 10 soldados e um sargento, comandados pelo Tenente Salgado, e mesmo assim, o destacamento simplesmente se recusou a cumprir as ordens do tenente desprezando seu comando. Há relatos de que a única criatura que chegou a trocar tiros com os cangaceiros, mas rapidamente desistiu, foi o telegrafista local.

    O fato é que no dia do ataque, a cidade sem defesa, com os fios telegráficos e telefônicos cortados, restou para a mesma apenas uma página negra na sua história, porquanto o saque foi tão desmedido, que até mesmo nas mãos dos cangaceiros, sofreram os seguidores de Chico Pereira, pois nem este conseguiu controlar as feras que ele mesmo incentivou a atacar a cidade. Aonde havia casas comerciais e residências, ou outro local que tivesse objetos de valor, estes foram saqueados. Sem olvidar da invasão à residência do juiz local, de nome Dr. Archimedes Souto Maior, onde dela foi retirado ainda com roupas de dormir, e ato contínuo submetido a todo tipo de tormenta e humilhação, sendo forçado inclusive, a andar de cangalha e em posição vexatória pelas ruas.

    No caso desse magistrado, tal atitude se deu por iniciativa do cangaceiro apelidado de “Paizinho”, que tinha queixas pessoais contra o mesmo, pois o acusava de tê-lo condenado por um crime que não cometeu. E o Dr. Arquimedes só não foi assassinado, tendo em vista a intervenção do próprio Chico Pereira.

    Após o ataque, e com a saída do grupo de cangaceiros em direção a Princesa, a repercussão do fato se espalhou pela Paraíba e pelo Nordeste.

    Um fato importante nesse episódio, é que nessa ocasião, Lampião não estava presente como afirmado anteriormente, pois se recuperava de um forte ferimento numa área da propriedade denominada Saco dos Caçulas, na zona rural da cidade de Princesa, na fronteira da Paraíba com Pernambuco, propriedade esta pertencente à Marcolino Pereira Diniz, filho do poderoso Marçal Florentino Diniz, todos parentes de José Pereira de Lima, líder político e “dono” de Princesa.

    João Pessoa, Abril de 2017.

     

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