Venezuela: presidente interina baixa o tom e fala em “colaboração” com EUA

Por Jacyara CristinaRedaão Por Redação - 05/01/2026 01:16 - 65618
Foto Reprodução - Montagem: Sistema 1001 Notícias de Comunicação
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 A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, adotou um tom conciliador ao defender diálogo e cooperação com os Estados Unidos. Em declaração divulgada neste domingo (4/1), ela afirmou que o país “reafirma sua vocação de paz” e que busca um relacionamento internacional “equilibrado e respeitoso”, baseado na igualdade soberana e na não ingerência.

A fala ocorre um dia após os EUA atacarem o país latino-americano e capturarem Nicolás Maduro e a esposa, Cilia Flores. Até então, Rodríguez vinha adotado um discurso firme contra as intervenções norte-americanas, e afirmou que a Venezuela não se renderia e que estava pronta para defender a soberania e recursos naturais.

 

Já na carta divulgada pelos canais de comunicação do governo venezuelano, a presidente interina diz que a prioridade é avançar para uma convivência pacífica com os EUA e com os países da região, em um ambiente de respeito e cooperação internacional. “Acreditamos que a paz global se constrói garantindo primeiro a paz de cada nação”, afirmou.

No texto, Rodríguez estendeu um convite formal ao governo norte-americano para a construção de uma agenda conjunta voltada ao desenvolvimento compartilhado, “no marco da legalidade internacional”, com foco em uma convivência duradoura entre os povos.

Em recado direto ao presidente Donald Trump, Rodríguez disse que a região “merece paz e diálogo, não guerra”. Ela ressaltou que esse sempre foi o posicionamento do presidente Nicolás Maduro e que permanece sendo o da Venezuela.

Ela ainda destacou o direito do país à soberania, ao desenvolvimento e a um futuro estável. “A Venezuela tem direito à paz, ao desenvolvimento, à sua soberania e ao futuro”, afirmou, ao reforçar que acredita em uma Venezuela capaz de reunir seus cidadãos em torno de um projeto comum.

Ameaça de Trump

Em meio às incertezas sobre o futuro da Venezuela, Donald Trump ameaçou, neste domingo, a atual comandante do país, Delcy Rodríguez, e afirmou que a vice de Nicolás Maduro poderá pagar um “preço alto” se não colaborar com os planos dos Estados Unidos.

“Se ela não fizer o que é certo, pagará um preço muito alto, provavelmente maior do que Maduro”, declarou o presidente dos EUA entrevista ao jornal The Atlantic.

Nesse sábado (3/1), Trump sinalizou que as forças dos EUA, estacionadas na América Latina e Caribe, estão prontas para uma possível segunda onda de ataques contra a Venezuela, “caso seja necessário”.

Os planos dos EUA para o país ainda não estão claros. Trump, no entanto, já afirmou que Washington pretende governar a Venezuela durante um período de transição e intervir diretamente no setor petrolífero.

Ação militar na Venezuela

Segundo o presidente dos Estados Unidos a operação militar teve como alvo a estrutura do regime chavista e resultou na captura de Nicolás Maduro, que foi retirado do território venezuelano e transferido para os EUA, onde deve responder a acusações de “narcoterrorismo”.

Ele classificou a ação como uma “operação brilhante” e afirmou que a capacidade militar da Venezuela foi neutralizada.

De acordo apuração do jornal norte-americano The New York Times, o número de mortos durante os ataques à Venezuela dobrou em 24h e chegou a 80. A contagem anterior, divulgada pelo próprio veículo, apontava 40 vítimas entre militares e civis após os bombardeios.

O dado atualizado foi repassado por um alto funcionário venezuelano, sob condição de anonimato. A fonte afirmou, ainda, que o total de mortos pode aumentar nas próximas horas à medida que novas informações forem confirmadas.

Mais cedo, o ministro da Defesa da Venezuela, general Vladimir Padrino, afirmou que grande parte da equipe de segurança do presidente Nicolás Maduro foi morta nos ataques.

Maduro e Cilia Flores chegaram a Nova York na noite desse sábado, após serem capturados em território venezuelano. O casal desembarcou no Aeroporto Internacional Stewart, onde o presidente venezuelano deve permanecer sob custódia das autoridades norte-americanas.



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