Por Redação
- 16/12/2022 22:13 - 
O presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Josué Gomes da Silva, recusou o convite do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva e não será ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior.
O empresário, que é alvo de sindicatos patronais de oposição que pretendem afastá-lo da presidência da Fiesp, alegou que não pode deixar o comando de suas empresas neste momento.
Josué viajou com a família para o exterior e tem previsão de retorno ao Brasil apenas em janeiro. Na quarta-feira (14/12), o empresário se reuniu com Lula, em Brasília, e foi convidado para assumir o ministério. Na ocasião, ele não deu uma resposta imediata ao petista e pediu um tempo para pensar.
A eventual ida de Josué Gomes para o ministério de Lula era considerada uma espécie de “saída honrosa” do comando da Fiesp, em meio a uma grave crise política na federação.
Sindicatos patronais que fazem oposição a Josué convocaram uma assembleia extraordinária para o dia 21 de dezembro, com o objetivo de destituir o empresário do comando da entidade.
A reunião do dia 21 foi marcada à revelia da presidência da federação, que foi informada sobre a intenção do grupo, mas não chancelou a data do encontro. Josué, então, contra-atacou e publicou um edital no qual marca a assembleia para o dia 16 de janeiro. O caso pode ser judicializado.
O documento contraria o desejo dos opositores, que haviam convocado a assembleia para o dia 21 de dezembro.
A crise política na Fiesp foi deflagrada em outubro, quando membros de sindicatos (eram 78, na época) apresentaram um pedido de convocação de assembleia. Em reunião da diretoria no início de novembro, Josué rechaçou a ofensiva, alegando que não havia elementos que justificassem a reunião.
O documento apresentado pelos sindicatos pedindo a assembleia enumerava 12 itens com justificativas para a convocação da assembleia. Entre os motivos apresentados, estavam contestações sobre nomeações de assessores de Josué, além de críticas pela divulgação da carta “em defesa da democracia” durante a campanha eleitoral.
As declarações de Josué durante a campanha, simpáticas à candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à Presidência da República, desagradaram a Paulo Skaf, ex-presidente da entidade (de 2004 a 2021) e apoiador do presidente Jair Bolsonaro (PL).
A decisão da Fiesp de divulgar uma carta “em defesa da democracia”, em agosto, foi considerada um erro por atrelar a instituição à candidatura do petista. Tanto que o documento teve apoio de apenas 14% dos sindicatos industriais.
Apesar de ter sido cogitado inicialmente como candidato a vice e depois como ministeriável de Lula – o que acabou se confirmando –, Josué jamais declarou o seu voto publicamente.
Nos bastidores, interlocutores de Skaf afirmam que a ida de Josué para o ministério de Lula apenas confirma a procedência das críticas dos sindicatos ao atual presidente da Fiesp – que teria, segundo seus adversários, aproveitado-se do peso da instituição para se projetar politicamente e garantir espaço no governo petista.
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