Por Roberto Notícias
- 16/07/2025 18:17 - 
Uma apuração jornalística revelou que a Câmara dos Deputados desembolsou, ao longo de oito anos, um total de R$ 807,5 mil para remunerar Gabriela Batista Pagidis, lotada como secretária parlamentar no gabinete do deputado Hugo Motta (Republicanos-PB). Embora formalmente vinculada ao cargo desde 1º de junho de 2017, Gabriela atua como fisioterapeuta em duas clínicas privadas de Brasília e, segundo a reportagem do portal Metrópoles, não exerce atividades relacionadas à função parlamentar.
Com 30 anos, Gabriela foi flagrada em diferentes momentos da semana passada em rotinas incompatíveis com o expediente na Câmara. Às segundas e quartas, trabalha no Instituto Costa Saúde, na Asa Norte. Às terças e quintas, atua no Centro Clínico Bandeirantes, no Núcleo Bandeirante. Na sexta-feira, foi vista pela manhã na academia e, à tarde, passeando no Zoológico de Brasília. Em todos os dias, deveria estar exercendo funções no gabinete parlamentar.
A reportagem solicitou à Câmara, por meio da Lei de Acesso à Informação (LAI), os registros de entrada de Gabriela no Congresso. A Casa informou que não há controle de ponto obrigatório para servidores com crachá, e que a responsabilidade pela frequência dos funcionários cabe ao próprio gabinete.
Além de Gabriela, dois outros casos vieram à tona pela Folha de S.Paulo.
Louise Lacerda, estudante de medicina em período integral na Faculdade Nova Esperança, em João Pessoa, também está nomeada no gabinete de Hugo Motta. O curso, com aulas diurnas e carga horária elevada, torna incompatível a jornada de 40 horas semanais exigida dos secretários parlamentares. Louise recebe salário e benefícios da Câmara desde 2018.
Monique Magno, por sua vez, é funcionária da Prefeitura de João Pessoa há quatro anos, exercendo a função de assistente social com jornada de 30 horas semanais. Mesmo assim, figura como secretária parlamentar desde 2019, também com salário fixo e auxílio da Câmara. A legislação proíbe a acumulação de cargos em situações de incompatibilidade de horários.
Com a repercussão das denúncias, Gabriela Pagidis e Monique Magno foram exoneradas do gabinete de Motta após a imprensa questionar suas situações funcionais.
Em nota, a assessoria de Hugo Motta afirmou que o deputado “preza pelo cumprimento rigoroso das obrigações dos funcionários de seu gabinete, incluindo os que atuam de forma remota e são dispensados do ponto dentro das regras estabelecidas pela Câmara”.
As denúncias levantam questionamentos sobre o uso de recursos públicos e a fiscalização da presença de funcionários no Poder Legislativo. O caso ocorre no momento em que Hugo Motta exerce a presidência da Câmara dos Deputados, o que intensifica a pressão por transparência e rigor administrativo.
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Roberto Notícia - Jornalista - DRT 4511/80.
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