Por Redação
- 04/08/2025 18:35 - O retorno do Congresso Nacional nesta semana, após o recesso parlamentar, promete ser turbulento e marcado por tensões crescentes entre o Legislativo e o Palácio do Planalto. Interlocutores próximos aos presidentes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), preveem uma “crise sem precedentes” na retomada das atividades.
Eleitos com apoio do governo do presidente Lula (PT), tanto Motta quanto Alcolumbre enfrentam agora pressões da base governista, da oposição e de setores da sociedade civil, que cobram posicionamentos firmes em relação a pautas polêmicas e acordos firmados — e depois recuados — com o Executivo.
Entre os estopins da crise está a decisão de Motta de barrar o decreto presidencial que revogava o aumento do IOF sobre operações de crédito, uma medida que havia sido negociada com o governo federal. A atitude foi vista como uma quebra de acordo e gerou forte reação de Lula, que classificou o gesto como “absurdo” e sinalizou que poderá judicializar a questão.
Além disso, há descontentamento generalizado com a manutenção do chamado “recesso branco”, mesmo diante de pedidos da oposição para retomada imediata dos trabalhos. A justificativa de que reformas estruturais estariam sendo realizadas no Congresso não convenceu parlamentares críticos, que veem a medida como estratégia para postergar enfrentamentos delicados.
A pauta de retorno já está carregada de temas sensíveis, como:
Para aliados de Lula, o Congresso tende a adotar uma postura de maior resistência às pautas do Executivo nos próximos meses, com Alcolumbre e Motta no centro das pressões. Ambos serão testados quanto à sua capacidade de equilibrar os interesses do Palácio do Planalto, as demandas do centrão e a pressão crescente das bancadas conservadoras e da oposição.
A expectativa, portanto, é de que os próximos dias em Brasília sejam marcados por acordos tensos, embates diretos e movimentações de bastidores que definirão o ritmo político do segundo semestre de 2025. A “lua de mel” entre os presidentes do Congresso e o Planalto, ao que tudo indica, chegou ao fim.
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