CÂMARA DE JOÃO PESSOA - CPI dos Combustíveis escuta os representantes de postos, Sindipetro e distribuidora

Por Roberto Notícias Por Roberto Notícias - 06/11/2025 16:14 - 64989
Foto Reprodução - Montagem: Sistema 1001 Notícias de Comunicação
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 Instalada na Câmara Municipal de João Pessoa (CMJP) para investigar suposta prática de cartelização entre os postos, a CPI dos Combustíveis ouviu, nesta quarta-feira (05/11), representantes de estabelecimentos, o Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo da Paraíba (Sindipetro-PB) e a Distribuidora Raízen.

Rede de Postos

 

O diretor administrativo da Rede de Postos São Luiz, Patrick Michel, respondeu aos questionamentos dos parlamentares sobre precificação e concorrência.

Ao vereador Guguinha Moov Jampa (PSD), Patrick Michel respondeu que a rede de postos acompanhou o aumento de R$ 0,40 no preço da gasolina, em agosto. “A competitividade é tanto para cima quanto para baixo, faço pesquisas de mini mercado e baseio meu preço, da minha rede, pela concorrência. Tenho postos em situações diferentes, com diferenças de 3 ou 4 centavos hoje, em João Pessoa, que é o que o mercado me permite. Na época dos 40 centavos, fizemos uma pesquisa de mercado, vimos que ele tinha subido e acompanhamos o mercado. A política de preços da Rede São Luiz é ser competitivo para cima e para baixo”, afirmou o diretor administrativo, salientando que o aumento na sua rede não aconteceu no mesmo dia.

 

Sindipetro-PB

 

Na reunião, o presidente do Sindicato, Omar Hamad, foi quem respondeu aos questionamentos dos vereadores. Indagado por alguns parlamentares acerca do que pode ter ocasionado, na primeira quinzena de agosto, o aumento abrupto de R$ 0,40 no preço da bomba de combustível em diversos postos de João Pessoa, Omar explicou:

“Como Sindipetro, não temos cartilha ou orientação sobre preços para ninguém, porque nós somos ‘gerência zero’. Agora, na minha experiência, falando por mim, isso que acontece em João Pessoa é o ‘modus operandi’ de todo o país. O que entendo é que ninguém quer ter o preço mais barato. Esse paralelismo de preço faz parte do setor. Na minha opinião, João Pessoa, hoje, está constituída por redes que pertencem a empresários paraibanos bem conceituados, que detêm outros negócios, em outras categorias, e que são completamente respeitados. Então, quero ressaltar que a maioria dos empresários paraibanos são homens de bem. Fica difícil caracterizar essas pessoas como um conluio para tentar lesar a população, até porque João Pessoa está entre as capitais com preço mais barato”.

Respondendo a um questionamento do vereador Tarcísio Jardim (PP) sobre o motivo de não haver grande diferença de preço entre os postos, havendo tantas variáveis que podem impactar na composição do preço final, o presidente Omar disse: “Somos o último elo da cadeia e o que menos representa e atua no preço final. Não deixa de ser um negócio competitivo, que a gente não tem gerência de controlar. Dizer o motivo do aumento de R$ 0,40, eu não sei. Toda a cadeia de combustíveis é muito complexa. O papel do Sindicato é explicar como funciona. A composição de preço já não depende mais da Petrobras, o comércio, hoje, praticamente já não depende mais da Petrobras. O mercado é altamente competitivo, a diferença é o preço do vizinho. Como já falei sobre o mercado, os preços são altamente competitivos. Então, a diferença é o preço do vizinho, na minha área de abrangência”.

Distribuidora Raízen

 

O consultor externo da Distribuidora Raízen, Bruno Drago, explicou que a distribuidora, atualmente, atende 28 postos em João Pessoa e 54 no Estado. “João Pessoa é um importante mercado do grupo”, destacou. O especialista na matéria concorrencial da Raízen foi questionado sobre a composição de preço de seus produtos pelos vereadores.

“Existem vários elementos que são necessários para a composição de um preço, aqui especifico o da distribuidora. Temos variáveis como: custo do insumo, valor da commodity internacional; custo logístico; custo de concessão de crédito; todos os tributos incidentes. Precisamos olhar também as condições comerciais, o nível de estoque do cliente, como é o histórico de pagamento daquela rede de cliente ou daqueles postos, que influencia no preço, se corro menos risco ou mais risco com relação àquele cliente; e também as condições de concorrência. O mercado de distribuição no estado da Paraíba é bastante competitivo. Tem até alguns índices do Cade, autoridade concorrencial brasileira, para medir o nível de concentração de mercado, e posso dizer que a Paraíba tem um nível não concentrado, tem mais de 15 distribuidoras. A Raízen tem uma participação que varia entre 11 e 12% no estado e tem uma pressão competitiva das distribuidoras de uma forma geral”, explicou o consultor.

Quando questionado pelo vereador Guguinha Moov Jampa (PSD) sobre a velocidade no repasse de reajuste nos preços, Bruno Drago também relatou variáveis. “Existem diversos fatores que implicam na decisão final das distribuidoras de fazer um repasse. Vários elementos podem ser levados em consideração, o primeiro deles é o nível de estoque da própria distribuidora. A Raízen tem sua base operacional em Cabedelo, para gasolina e diesel S500. Esse fornecimento chega via cabotagem, com giro de estoque 1,5 a 2 vezes ao mês. Isso significa que o produto dura de 15 a 20 dias dentro da estocagem. Quando a Petrobrás anuncia uma redução de preço, temos um estoque adquirido a um outro preço e não conseguimos repassar imediatamente. No caso da Raízen, uma parte dos produtos é adquirida pela Petrobrás e outra parte é adquirida pela Acelen. Assim, uma redução na Petrobrás não impacta essa negociação com a Acelen. Tem ainda as misturas, a gasolina, hoje, é uma mistura com 30% de etanol. Então, parte do insumo é independente da precificação da Petrobrás. Esses elementos fazem com o que o repasse não seja feito de imediato e na mesma proporção, mas ele vem seguindo essas dinâmicas”, justificou.

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Roberto Notícia - Jornalista - DRT 4511/80. 

 


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