Por Redação
- 28/10/2025 11:45 - 
A vereadora Jô Soares Oliveira (PCdoB), da Câmara Municipal de Campina Grande, fez um duro pronunciamento nesta terça-feira (28), durante entrevista, denunciando o caos na saúde pública do município, com atrasos de salários, falta de transparência nos recursos e unidades sem medicamentos. A parlamentar também revelou uma suposta manobra de vereadores governistas para impedir a instalação da CPI da Saúde, que investigaria a aplicação dos recursos municipais.
Em entrevista, Jô relatou que os profissionais da saúde estão há meses sem receber salários, o que tem afetado diretamente o funcionamento das unidades.
“Estamos com quase dois meses de atraso no pagamento dos prestadores de serviço da saúde. O mês de setembro não foi pago e já estamos terminando outubro sem previsão. É um desrespeito com quem mantém o sistema funcionando”, afirmou.
A vereadora lembrou que o problema não é recente. “Desde novembro de 2024 a gente denuncia esse descaso. O município chegou a lançar um calendário de pagamento em janeiro deste ano, mas nunca cumpriu. Todos os meses há justificativas diferentes, e a situação só piora”, disse.
Durante a entrevista, Jô Oliveira também criticou a fala do secretário de Finanças, que teria afirmado em reunião com o Ministério Público que os recursos destinados à saúde já haviam sido repassados.
“Ele disse que tudo o que cabia ser transferido para a saúde já foi feito e que agora os recursos seriam direcionados à educação. Mas se o município alega ter gasto R$ 168 milhões em saúde, por que não tem medicamento nos postos e nem pagamento dos servidores?”, questionou.
A parlamentar destacou que visitas feitas a unidades básicas de saúde revelaram a ausência de remédios e reformas inexistentes. “A prefeitura diz que entregou medicamentos e reformou unidades, mas quando a gente chega, não encontra nada disso. É preciso saber para onde está indo esse dinheiro”, afirmou.
Jô defendeu a criação da CPI da Saúde como instrumento de fiscalização, mas denunciou o que chamou de boicote à sessão que abriria a comissão.
“Foi claramente uma manobra. Tínhamos quórum, vereadores online e outros na Câmara, mas orientaram alguns a não subir para o plenário. Abriram e fecharam a sessão dizendo que não havia número suficiente”, contou.
Diante da falta de transparência e da resistência política, Jô anunciou que vai recorrer ao Ministério Público, ao Tribunal de Contas do Estado (TCE-PB) e a outros órgãos de controle para garantir uma investigação independente.
“Estamos acionando o Ministério Público porque é preciso rastrear os recursos da saúde e saber onde esse dinheiro está sendo aplicado. A população de Campina Grande não pode continuar refém da desorganização e da omissão da gestão”, concluiu.
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Roberto Notícia - Jornalista - DRT 4511/80.
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