Após ver sua influência sobre os demais parlamentares ameaçada com a extinção do orçamento secreto, mecanismo que controlava na Câmara, Lira conseguiu se manter como favorito ao interceder a favor de aliados e distribuir benesses aos deputados que tomarão posse, seu eleitorado na próxima quarta-feira. O pacote de bondades vai de passagens aéreas “extras” para ir e voltar de Brasília a incrementos nos valores de auxílios moradia e para combustível.
A campanha pela reeleição também incluiu se envolver pessoalmente nas costuras políticas para beneficiar aliados. Entre eles, o deputado Jhonatan Jesus (Republicanos-RR), que deve ser eleito na quinta-feira para a vaga aberta no Tribunal de Contas da União (TCU). O PT, que ameaçou se opor à indicação, já admite apoiá-lo, em aceno ao partido do Centrão que tenta atrair para a base aliada.
Até agora o único concorrente declarado de Lira é o deputado Chico Alencar (PSOL-RJ).
— Quanto mais votos ele tiver, mais o Executivo poderá ser chantageado. Nossa candidatura simboliza uma negativa ao intestino grosso da pequena política, do “toma lá, dá cá” — afirmou Alencar.
A Mesa Diretora da Câmara terá Marcos Pereira (Republicanos-SP) como primeiro vice-presidente, Sóstenes Cavalcante (PL-RJ) ou outro indicado do PL para a segunda vice-presidência, Luciano Bivar (União-PE) na primeira-secretaria —espécie de prefeitura da Casa — e Maria do Rosário (PT-RS) na segunda-secretaria. Já PSD e MDB irão dividir as duas secretarias restantes.
No Senado, embora Pacheco siga como favorito, Marinho tem recorrido à polarização entre Lula e Bolsonaro para tentar avançar. Ontem, recebeu oficialmente o apoio dos partidos que davam sustentação ao governo do ex-presidente, PP e Republicanos. Ao lado do PL, as siglas somam 23 dos 81 senadores.
Com um discurso crítico ao Supremo Tribunal Federal (STF), alinhado ao bolsonarismo, Marinho mira possíveis traições em partidos que estão na órbita do atual presidente da Casa, mas abrigam opositores ao atual governo. No União Brasil, por exemplo, ele conta com os votos de Alan Rick (AC) e Sergio Moro (PR). No MDB, a senadora Ivete da Silveira (SC) declarou voto no candidato do PL.
— Precisamos fazer o contraponto, moderar a avidez daqueles que estão chegando ao governo e querem destruir o que foi feito em nome do Brasil. Temos a responsabilidade de fazer com que essa situação não se abata sobre nós — disse Marinho.
Já o atual presidente da Casa conta com os apoios formais do PT e do PDT e deve atrair também o PSB, partidos da base de Lula. Pacheco recebeu na quinta-feira o presidente para um jantar na residência oficial do Senado, onde discutiram estratégias para vencer a disputa. Lula, que afirmou que não se envolveria nas eleições do Congresso, não pediu votos explicitamente, mas posou sorridente ao lado do político mineiro.
Em relação aos cargos na Mesa Diretora, o PT avalia se vai indicar Humberto Costa (PE) para a primeira vice ou Rogério Carvalho (SE) para a primeira-secretaria. A decisão deve acontecer amanhã, após reunião do partido. O MDB faz questão de manter o senador Veneziano Vital do Rego (PB) na primeira vice. Quanto às comissões, Davi Alcolumbre (União-AP) se movimenta para permanecer no comando da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), a mais importante da Casa, e o PSD deve indicar Vanderlan Cardoso (GO) para a Comissão de Assuntos Econômicos (CAE).
Imagina como vai ser bom,se esse Rogério Marinho ganhar pra Presidente do Senado.
Por O Globo