Por Roberto Notícias
- 07/09/2025 01:21 - 
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez, na noite deste sábado (6), um pronunciamento em cadeia nacional marcado pela defesa da soberania brasileira. Em tom firme, o petista criticou os “traidores da pátria”, ressaltou que o Brasil deixou de ser colônia há mais de dois séculos e que seguirá pautado pelas próprias leis e pelo respeito aos Poderes da República.
Gravado no Palácio do Planalto, com um grande mapa mundi ao fundo, o discurso teve forte carga simbólica. Lula quis mostrar que é ele quem ocupa a cadeira da Presidência, apesar de parte da oposição não reconhecer sua vitória. Usando a mesma gravata verde-amarela que marcou sua campanha de 2022, ele também buscou reforçar a mensagem nacionalista.
Recados indiretos
Sem citar nomes, Lula enviou recados ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e ao deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), em meio às pressões externas sobre o julgamento dos réus do 8 de janeiro. Nos bastidores do Planalto, a fala foi vista como resposta às ameaças de aplicação da Lei Magnitsky e às tarifas impostas ao Brasil pelo governo americano.
O discurso, com 5min25seg de duração, foi descrito por aliados como um “marco” diante do momento político. O governo pretende usar esse tom para impulsionar a campanha “Brasil Soberano”, que tenta capitalizar apoio popular em meio à crise diplomática com os EUA.
7 de Setembro sob tensão
Após a fala de Lula, o país inteiro se mobiliza para viver um 7 de Setembro diferente. Em Brasília, onde ocorre o desfile oficial na Esplanada dos Ministérios, o esquema de segurança ganhou reforço: mais de 2 mil policiais militares foram destacados para manter grupos de direita e esquerda a pelo menos 1 km de distância.

Até este sábado, nenhum ministro do Supremo Tribunal Federal havia confirmado presença no palanque de autoridades. A ausência reflete o clima de tensão em meio ao julgamento da tentativa de golpe de 2023, que segue na Corte e deve ter novas decisões nos próximos dias.
Além do desfile oficial, atos estão programados em todo o país. Apoiadores de Jair Bolsonaro prometem protestos em defesa da anistia e contra o Supremo Tribunal Federal, enquanto movimentos progressistas convocam manifestações pela punição dos envolvidos no 8 de janeiro e em apoio à democracia.
A disputa de narrativas promete marcar a data que, segundo o Planalto, será “um momento de reafirmação da independência, da democracia e da soberania brasileira”.
Ato em João Pessoa
Na Paraíba, o senador Efraim Filho (União Brasil) convocou a militância de direita para se reunir neste domingo (7), às 15h, no Busto de Tamandaré, em João Pessoa. Em mensagem divulgada nas redes sociais, o parlamentar chamou os apoiadores para um “grito de liberdade” contra o que classificou como abusos e perseguições.
“Reage Paraíba! Reage Brasil!”, disse Efraim em tom de convocação.
“Querido povo brasileiro, amanhã, 7 de setembro, é dia de celebrarmos a Independência do Brasil. É uma boa hora para a gente falar de soberania.
O 7 de Setembro representa o momento em que deixamos de ser colônia e passamos a conquistar nossa independência, nossa liberdade e nossa soberania.
Na época da colonização, nosso ouro, nossas madeiras, nossas pedras preciosas, nada disso pertencia ao povo brasileiro. Toda nossa riqueza ia embora do Brasil para ajudar a enriquecer outros países.
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Mais de 200 anos se passaram e nós nos tornamos soberanos. Não somos e não seremos novamente colônia de ninguém. Somos capazes de governar e de cuidar da nossa terra e da nossa gente, sem interferência de nenhum governo estrangeiro.
Mantemos relações amigáveis com todos os países, mas não aceitamos ordens de quem quer que seja. O Brasil tem um único dono: o povo brasileiro.
Por isso, defendemos nossas riquezas, nosso meio ambiente, nossas instituições. Defendemos nossa democracia e resistiremos a qualquer um que tente golpeá-la.
É inadmissível o papel de alguns políticos brasileiros que estimulam os ataques ao Brasil. Foram eleitos para trabalhar pelo povo brasileiro, mas defendem apenas seus interesses pessoais. São traidores da pátria. A história não os perdoará.
Minhas amigas e meus amigos, a soberania pode parecer uma coisa muito distante, mas ela está no dia a dia da gente. Está na defesa da democracia e no combate à desigualdade, a todas as formas de privilégios de poucos em detrimento do direito de muitos. Está na proteção das conquistas dos trabalhadores, no apoio aos jovens para que eles tenham um futuro melhor, na criação de oportunidades para os empreendedores e nos programas que ajudam os mais necessitados.
Se temos direito a essas políticas públicas, é porque o Brasil é um país soberano e tomou a decisão de cuidar do povo brasileiro.
Minhas amigas e meus amigos, um país soberano é um país fora do Mapa da Fome, que zera o Imposto de Renda de quem ganha até R$ 5 mil enquanto taxa os super-ricos que hoje não pagam quase nada. Que cresce acima da média mundial e registra menor índice de desemprego de todos os tempos. Um país com a coragem de fazer a maior operação contra o crime organizado da história, sem se importar com o tamanho da conta bancária dos criminosos.
Este país soberano e independente se chama Brasil.
Minhas amigas e meus amigos, desde o início do nosso governo, concentramos esforços na abertura de novas parcerias comerciais. Em apenas dois anos e oito meses, abrimos mais de 400 novos mercados para as nossas exportações. Defendemos o livre comércio, a paz, o multilateralismo e a harmonia entre as nações, mas nunca abriremos mão da nossa soberania.
Defender nossa soberania é defender o Brasil.
Cuidamos como ninguém do nosso meio ambiente. Reduzimos pela metade o desmatamento na Amazônia, que, em novembro, vai sediar a COP30, maior conferência mundial sobre o clima.
Defendemos o Pix de qualquer tentativa de privatização. O Pix é do Brasil. É público, é gratuito e vai continuar assim.
Reconhecemos a importância das redes digitais. Elas oferecem informação, conhecimento, trabalho e diversão para milhões de brasileiros, mas não estão acima da lei. As redes digitais não podem continuar sendo usadas para espalhar fake news e discurso de ódio. Não podem dar espaço à prática de crimes como golpes financeiros, exploração sexual de crianças e adolescentes e incentivo ao racismo e à violência contra as mulheres.
Zelamos pelo cumprimento da nossa Constituição, que estabelece a independência entre os Três Poderes. Isso significa que o presidente do Brasil não pode interferir nas decisões da justiça brasileira, ao contrário do que querem impor ao nosso país.
Minhas amigas e meus amigos, este é o momento em que a História nos pergunta de que lado estamos. O governo do Brasil está do lado do povo brasileiro. Povo que acorda cedo, todos os dias, para trabalhar pela prosperidade da sua família.”
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