Por Redação
- 02/06/2025 15:22 - 
Tradição, forró, cores e empreendedorismo. Uma festa grandiosa, que vai além do arrasta pé, do colorido dos balões, e que atrai turistas, gera negócios e impulsiona a economia. O Maior São João do Mundo em Campina Grande, no Agreste da Paraíba, não é apenas forró e comidas típicas.
Ao som da sanfona, do triângulo e da zabumba, a festa realizada este ano durante ininterruptos 38 dias e que tem como auge o 23 de junho, transcende o Parque do Povo, e se transformou ao longo dos anos, em uma grande fonte de emprego e renda, que incentiva o empreendedorismo, abre um leque de oportunidades financeiras e movimenta toda uma cadeia produtiva. A economia da cidade gira, antes, durante e após os festejos juninos.
Para 2025, o São João deve movimentar R$ 740 milhões durante os 38 dias de realização, um crescimento de 10%, em relação a festa do ano passado, quando a movimentação financeira ultrapassou os R$ 673 milhões. Todos os setores lucram com a festa. Alguns segmentos como comércio, transportes, hotelaria, bares e restaurantes tem no São João, uma de suas principais fontes de lucro. E uma infinidade de oportunidades.
Com a expectativa de mais de 3,5 milhões de pessoas circulem por Campina Grande durante o São João, superando os 2,93 milhões de 2024, a festa promete impulsionar ainda mais os negócios na cidade.
O evento também é responsável pela geração de empregos. Somente na montagem da estrutura do Parque do Povo, foram 1.500 postos diretos e indiretos. A expectativa é que este ano, o número de novos empregos formais supere os 928 abertos na edição do ano passado.
A riqueza cultural do evento é um dos fatores que atraiu no ano passado, mais de 80 mil turistas e 245 mil excursionistas, gerando um impacto econômico de mais de R$ 211 milhões, impulsionando assim, a economia da região.
Embora o São João esteja presente em cada canto da cidade, como no Salão do Artesanato, na Vila do Artesão, Vila São João, Feiras Central e da Prata, casas de show e no Distrito de Galante, é no Parque do Povo, epicentro da festa que no mês de junho recebe mais de 3 milhões de turistas, que os negócios surgem e prosperam.
No Parque do Povo, os negócios estão em toda a parte e são eles, que nas noites frias da Rainha da Borborema, aquecem a economia. Os pequenos negócios representam mais de 70% dos empreendimentos instalados no Parque do Povo. São eles, juntamente com os artistas, responsáveis pelo sucesso da festa.

Alguns dos comerciantes, tem na festa a principal fonte de renda, e lucram em um mês, o que ganhariam em um ano de trabalho. É o caso da comerciante Rosângela Lopes, que mantém a sua tradicional barraca no Parque do Povo desde o primeiro ano da festa.
Proprietária da barraca “Caboclo Sonhador” Rosângela Lopes, garante que tradicionalmente, o São João se torna uma espécie de 13º salário no mês de junho. Para abastecer a barraca, e agradar aos turistas na festa, ela investe alto. A barraca “Caboclo Sonhador, fica localizada em um ponto estratégico e de grande fluxo de pessoas, bem em frente ao palco principal. Rota inevitável de passagem de turistas e forrozeiros, o movimento é sempre grande todas as noites. Para dá conta da procura, ele teve que investir alto, e contatou mais três pessoas.
Somente este ano, gastou mais de R$ 20 mil na compra de mercadorias. Os preparativos começam cedo, desde a logística de compra dos produtos e os compromissos com os fornecedores. A comerciante revelou que, em alguns anos, chegou a recorrer a linhas de crédito para tornar a sua barraca repleta das comidas e bebidas preferidas pelos turistas. Na barraca da empreendedora, os forrozeiros encontram churrascos, cervejas, aperitivos entre outros atrativos da época.
“Sem dúvida é uma festa que movimenta toda economia e atrai muita gente. Eu participo do São João de Campina Grande desde a primeira edição. Eu vi essa festa nascer e desde o começo sempre foi uma fonte de renda” disse Rosângela
Rosângela garante que com o lucro da festa, já conseguiu reformar a sua casa, e realizar alguns sonhos. Ela revelou que todos os anos, quando o som da sanfona, do triângulo e da zabumba, silenciam, ela faz os cálculos do lucro, e decide onde investir. Praticamente, todos os anos, ela consegue com a renda conquistada nos festejos juninos, trocar a sua moto.
“Tem ano que é lucrativo. Depende das atrações e da situação econômica do país. Mas todos os anos eu consigo trocar a minha moto ” revelou ao PB Agora na noite de abertura da edição 2025 do evento.
Em média, segundo dados da Secretaria de Desenvolvimento Econômico de Campina Grande, o aumento no faturamento dos comerciantes nos festejos juninos fica entre 40% e 80%, com uma média de renda mensal que varia de R$ 20 mil a R$ 80 mil, para os empreendedores.

Caldinho, caipirosca, caipirinha, cachorro quente, maçã do amor, crepe e milho cozinhado. O comércio no Parque do Povo oferece bebidas, comidas, caldinhos e canas de diversos sabores, como morango e maracujá.
O São João de Campina Grande é um das datas preferidas para o empreendedor Marcos Pazini investir em seu negócio e ganhar uma renda extra. Pelo 8º ano seguido ele participa da festa com uma barraca que vende caladinho. O movimento é intenso durante as noites de arrasta-pé. Ele não reclama do sacrifício de ficar mais de 30 noites trabalhando.
Na barraca localizada na rua Sebastião Nonato, perto da Pirâmide ele vende há 8 anos, batata frita, camarão, cachaça entre outros atrativos. O empreendedor garante que o lucro da festa é sempre satisfatório e ajuda a organizar as suas finanças e realizar alguns sonhos.
” É muito gratificante fazer parte dessa festa e trabalhar com alguns amigos. A gente vem trabalhar com a família. O movimento é sempre satisfatório, principalmente nos finais de semana e nas noites dos grandes show É um investimento que vale a pena “, contou.
No Parque do Povo, o caladinho de Valdelano Gandhi da Silva é um sucesso. Para manter o negócio é segurar todas as noites da temporada junina e ele investe alto e sempre recorre às contratações temporárias. Há oito anos, o investidor mantém o seu negócio no Parque do Povo durante o São João, e garante que a renda que tira durante o evento, é satisfatória.
O empreendedor garante que o seu caldinho ajuda a aquecer as noites frias da Rainha da Borborema e a economia de sua família. Para manter o negócio funcionando durante todo o São João, ele chega a contratar em média dez pessoas, entre operador de caixa e garçons, para atender bem os clientes. Ele garante que o retorno é garantido.
“Estamos localizados na rua principal e muita gente tem que passar por aqui para ir para a Pirâmide ou para o palco principal. O movimento é sempre bom. Vale a pena o investimento “, garantiu.
No estabelecimento de Valdelano, o cliente encontra caldinhos variados, como caldo de peixe e charque, fava, entre outros.

Ele garante que se prepara o ano todo para o São João e o lucro da festa dá para pagar as contas, além de sobrar um dinheirinho para investir.
O São João de Campina Grande é mesmo uma oportunidade para os empreendedores em diversos segmentos.Todos lucram. Todos ganham com a festa. Que diga a pequena empreendedora Amanda da Silva, 32 anos, e que há dez participa da festa.
Para quem gosta de caipifruta, uma das opções é o quiosque da Amanda da Silva. Localizado em frente a Pirâmide o estabelecimento vende caipifruta de todos os sabores e com um preparo que atrai os clientes.
Para montar o negócio e garantir a festa dos clientes, ela fez um empréstimo no ano passado, mas garante que valeu a pena. O lucro é certo. Os preços da caipifruta variam de R$ 25, a R$ 80. O esforço de passar todas as noites de junho trabalhando na festa tem uma recompensa. Ela garante que com o lucro da venda das caipifrutas, já realizou alguns sonhos e pode fazer vários investimentos.
O comerciante João Bosco Leite, morador do Sítio Lucas também vê no São João, uma oportunidade de reforçar o seu orçamento e realizar alguns sonhos da família. Há 38 anos ele vende churrasquinho no Parque do Povo. É um dos mais antigos. Nesse período, já perdeu a conta do que investiu e lucrou. Na balança comercial, garante que o lucro foi maior. Com o dinheiro, ele também pode fazer alguns investimentos na sua casa.

” Essa é uma festa que dá lucro Se não fosse eu não teria permanecido durante todos esses anos. O São João de Campina é rico em todos os aspectos “, garantiu.
Para abastecer o seu estabelecimento este ano, ele investiu quase R$ 25 mil, mas assegura que o retorno é certo.
Ao todo, 8 pessoas trabalham na barraca de seu João Bosco, sendo quatro à noite no Parque do Povo e quatro em cassa nos preparos dos espetinhos. Ele garante que o São João é um dos períodos mais lucrativos do ano. E faz questão de manter o negócio, “faça chuva ou faça sol”.
A venda de crepes e churros é uma oportunidade de negócio que pode ser rentável, especialmente em locais com grande fluxo de pessoas ou em áreas onde há uma demanda por doces e lanches rápidos. Há 10 anos a empreendedora Edaigma Régia dos Santos, resolveu investir nesse negócio no São João de Campina Grande, e o resultado foi além do esperado por ela. O negócio, montado perto da Pirâmide, cresceu tanto que ela precisou contratar uma amiga para ajudar a atender os clientes, principalmente nas noites de grandes shows quando o movimento é intenso.

Para montar a estrutura da sua barraca, ela investiu R$ 8 mil e garante que no final da festa, o lucro é garantido.
“ Aqui é o crepe mais conhecido do Parque do Povo. O pessoal já me procura. Vale apena investir nesse negócio” afirmou.
Os empreendedores que trabalham na festa sempre costumam recorrer as linhas de crédito para estruturar os negócios. Muitos revelaram que já participaram de algumas capacitações e obtiveram dicas de como investir sem o risco de prejuízo, e com isso, atender melhor os clientes, visto que têm na festa, uma das principais fontes de renda do ano.
De acordo com informações da Secretaria de Turismo da cidade, em toda a extensão do Parque do Povo e Parque Evaldo Cruz, estão instaladas 457 unidades comerciais, sendo 43 quiosques, 12 restaurantes e 148 barracas, para comercialização de comidas, bebidas e artesanatos. Além disso, 1254 ambulantes de bebidas e produtos diversos, como pipoca, milho e algodão-doce, estão credenciados para atender o público.
“Estamos falando do principal motor econômico e de geração de empregos da Rainha da Borborema”, disse a secretária Tâmela Fama.

Melhor período para aquecer a rede hoteleira
Reservas feitas no começo do ano, pacotes fechados, principalmente para as datas principais, e ocupação máxima. Responsável por gerar negócios, aquecer a economia e suscitar o surgimento de pequenas empresas, o São João de Campina Grande é a festa mais esperada e lucrativa para a rede hoteleira. Em alguns hotéis, a taxa de ocupação chega aos 100% na semana do São João. Nos bares e restaurantes, o incremento no mês de junho ultrapassa os 30% em relação aos demais meses do ano.
A cidade conta com mais de 3 mil e 100 leitos distribuídos em 27 hotéis e 19 pousadas, além dos aluguéis por plataformas online. Divaildo Júnior, presidente do Sindicato de Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares de Campina Grande (SHRBS-CG), garantiu esta semana ao PB Agora, que a festa historicamente, é a principal que movimenta o setor.
Mesmo com o fechamento do Onigrat Hotel, antigo “Ouro Branco” que marcou época, Campina Grande vivenciou diferentes fases na formação da sua rede de hospedagem. A expansão mais recente ocorreu nos anos anteriores à pandemia, com a chegada de grandes redes, como Garden Hotel, Slaviero, Intercity e Íbis.

“Temos uma rede que, ao longo do ano, convive com taxas abaixo do ideal. É o São João, especialmente nas datas próximas ao dia 24 de junho, que traz a ocupação máxima”, disse Divaildo.
Em 2024, as taxas de ocupação chegaram a 95% durante os dias de pico da festa, entre 21 e 24 de junho. Para este ano, a expectativa é que em alguns hotéis a ocupação chegue aos 100% devido a alta procura. A maior procura, segundo ele, acontece na véspera do dia dos namorados e na semana do São João, sendo que este ano, devido ao feriado de Corpus Christi, a procura maior deve ser entre 18 a 24 de junho.
“No ápice da festa quando acontece os grandes shows, a expectativa é que a rede hoteleira esteja com a ocupação máxima. Durante os 33 dias, a gente tem a esperança de repetir a média do ano passado, com a taxa acima dos 70% o mês inteiro, o que é muito bom” destacou.
A maior parte dos turistas que vem para Campina Grande no período junino, conforme explicou Divaildo, são oriundos de cidades do Nordeste, do Rio de Janeiro e São Paulo. Ele observou que o Sindicato sempre teve a preocupação de fazer uma pesquisa com os turistas para atestar o nível de satisfação, e gasto durante a festa.
Divaldo Bartolomeu, que na semana passada assumiu a gestão do Centro de Convenções de Campina Grande, lembrou que em alguns anos, a média de ocupação durante o mês de junho ficou acima de 65%. As grandes operadoras vão continuar vendendo pacotes de São João e os voos extras das companhias aéreas.

Alguns hotéis no Centro de Campina Grande já tinham reservas que chegavam a 50% de ocupação no primeiro final de semana de junho desde o começo do mês de maio.
“Nesse período sempre costumamos observar taxas altas de ocupação hoteleira na cidade. O São João de Campina Grande é sem dúvida um dos maiores eventos culturais do Brasil e contribui muito para movimentar a economia. Uma festa que deixa lucro. Não podemos esquecer a religiosidade do São João, fundamentada em santos da fé católica “, observou.
A decoração com bandeiras e balões na entrada do Hotel Village, mostra que a temporada junina chegou. Com dois hotéis instalados em Campina Grande, o Village tem no São João, a melhor época do ano. Todos os anos a rede de hotéis Village colhe os frutos do sucesso da festa.
Responsável pelo setor de reserva, Claudia Oliveira, confirmou ao PB Agora, que tradicionalmente, a ocupação sempre fica acima do esperado. A procura esse ano, segundo ela, tem sido satisfatória, mantendo os bons números das edições anteriores do evento quando a cidade fica cheia de turistas.
“A procura tem sido alta. Tanto na nossa unidade Premium, quanto na Confort, temos ocupação entre 80 e 90%. Acredito que devemos atingir os 100% no ápice da festa, até com feriado. A semana principal é a mais procurada”, contou. Os principais hóspedes do Village este ano, vem do Rio de Janeiro, Belém do Pará, Minas Gerais, Rio Grande do Norte, entre outros estados” afirmou.
O Hotel, instalado na entrada da cidade, tem 87 apartamentos, e o outro localizado nas proximidades do Açude Velho, tem 60 apartamentos. A rede Village conta com dois hotéis em Campina Grande, 1 em Caruaru, dois em João Pessoa, e dois em Fortaleza.
O otimismo também do Hotel Slaviero, um dos mais procurados na cidade . A gerente Camila Costa, recebeu o PB Agora para falar da importância econômica do São João para o setor e das expectativas para a edição deste ano. Ela garantiu que a exemplo dos anos anteriores, a procura tem sido grande, com turistas vindos de todos os cantos do País para aproveitar a principal festa turística da Rainha da Borborema e uma das maiores do Nordeste.

“Estamos muito esperançosos para este mês de junho. Nossa ocupação está excelente tanto durante a semana quanto nos finais de semana, com muita procura por hospedagem de última hora. Estamos trabalhando para fechar o mês com uma ocupação acumulada de no mínimo 80%”, citou Camila Costa.
Ela ressaltou que o São João é o período mais aguardado do ano pela rede hoteleira. A procura pela reserva começa no começo do ano e todo
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