Guarabira torrou R$ 8,44 milhões em festas e ultrapassou Campina Grande, diz Observatório do TCE

Por Jacyara CristinaRedaão Por Redação - 19/04/2026 11:25 - 66843
Foto Reprodução - Montagem: Sistema 1001 Notícias de Comunicação
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 Dados do Observatório de Festividades do Tribunal de Contas do Estado da Paraíba mostram um contraste que chama atenção e rende debate público: em 2025, Guarabira empenhou R$ 8.441.334,27 com festividades, enquanto Campina Grande, sede do chamado Maior São João do Mundo, registrou R$ 7.822.148,77. Ou seja: Guarabira gastou R$ 619.185,50 a mais que Campina Grande, uma diferença de cerca de 7,9%.  

O dado, por si só, já é politicamente explosivo. Mas fica ainda mais impactante quando se observa o tamanho, o peso turístico e a dimensão cultural de cada evento. Campina Grande carrega uma festa consolidada nacionalmente, com reconhecimento de mercado, calendário extenso, forte apelo turístico e capacidade histórica de atrair multidões. Guarabira, por sua vez, aparece no levantamento do TCE com um gasto superior ao de um dos maiores vitrines juninas do país.  

De acordo com o que foi apurado pela redação do BC1, o ponto central não é discutir a importância da cultura popular. Festa também movimenta economia, gera renda e aquece comércio, hotelaria e serviços. O problema começa quando a conta perde a proporção. E é justamente isso que o próprio Tribunal de Contas vem alertando ao afirmar que as despesas com eventos festivos precisam ser compatíveis com a realidade financeira de cada município e não podem comprometer áreas essenciais, como saúde, educação e assistência social.

O TCE informou que os gastos municipais com festejos juninos em 2025 chegaram a R$ 130,1 milhões, alta de 80% em relação a 2023. Também apontou que, entre 2023 e 2025, as despesas com São João somaram R$ 318,6 milhões, o equivalente a 50,5% de todos os gastos municipais com festividades no período.  

BC1 apurou que o próprio TCE também passou a reforçar a vigilância técnica sobre esse tipo de despesa. Em janeiro de 2026, o tribunal divulgou orientação aos prefeitos sobre registro, transparência, planejamento e compatibilidade fiscal dos gastos com festividades. A mensagem é cristalina: festa pública não pode virar terreno livre para exagero, improviso orçamentário ou maquiagem administrativa.

No caso específico da comparação entre Guarabira e Campina Grande, a pergunta que naturalmente surge é simples e incômoda: como uma cidade de porte menor consegue empenhar mais recursos com festividades do que a cidade que abriga o maior e mais conhecido São João da Paraíba? A resposta pode até ter justificativas técnicas nos autos, nos contratos, na metodologia de classificação dos empenhos ou na distribuição das despesas por evento. Mas, no debate público, o dado é devastador.

O próprio TCE já mostrou que, em 2025, a maior parte das contratações ligadas ao São João ocorreu sem licitação tradicional: 64,3% por inexigibilidade e 15,1% por dispensa, com pregão eletrônico e adesões representando fatia bem menor.  

Em outras palavras: quando o dinheiro da festa cresce nesse ritmo, cresce junto a obrigação de transparência. Porque uma coisa é investir em cultura com planejamento. Outra, bem diferente, é naturalizar cifras milionárias enquanto a população convive com demandas permanentes em áreas básicas.

O caso de Guarabira deve acender uma luz amarela não apenas pelo valor absoluto, mas pelo simbolismo. Quando um município menor ultrapassa Campina Grande em gasto com festividades, o debate deixa de ser apenas cultural e passa a ser, inevitavelmente, um debate de prioridade administrativaproporcionalidade e responsabilidade com o dinheiro público.  

No fim das contas, a pergunta que sobra é a que mais dói em qualquer prefeitura: a cidade pode até bancar a festa, mas consegue bancar, com o mesmo empenho, a saúde, a educação, a infraestrutura e os serviços que a população cobra o ano inteiro? O dado está posto. E dado, quando grita, não adianta tentar abafar no forró.

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Roberto Notícia - Jornalista - DRT 4511/80 



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