Também foi alvo o ex-prefeito Vitor Hugo, apontado como articulador inicial do esquema, responsável por firmar o pacto com a facção e estruturar o modelo do esquema.
Quem é Fatoka
O primeiro registro de Fatoka na prisão foi em 2012. Naquela ocasião ele foi preso porque era o responsável por comandar uma facção criminosa paraibana, promover rebeliões em presídios e também por ser mandante de diversos homicídios violentos em João Pessoa naquela época.
Ele ficou preso de 2012 até 2018, quando houve uma fuga em massa de presos da Penitenciária de Segurança Máxima Doutor Romeu Gonçalves de Abrantes, conhecida como PB1. Ele foi um dos 92 presos que fugiram em uma ação que consistiu na utilização de explosivos para derrubar o portão principal.
Meses depois da fuga, Fatoka foi localizado em Alagoas e preso novamente. A Polícia Federal recebeu uma denúncia anônima de que traficantes estavam se passando por veranistas e estavam escondidos em uma casa de praia no estado.
No entanto, após a prisão, houve o relaxamento do cumprimento da pena por parte da Justiça, isso porque ele foi posto em liberdade para cumprir medidas cautelares, com o uso de tornozeleira eletrônica. Conforme a Polícia Civil, ele rompeu a tornozeleira e depois fugiu para o Rio de Janeiro.
Além dos crimes como assassinato e tráfico de drogas, Fatoka também é alvo de uma investigação por ter aliciado violentamento eleitores da cidade de Cabedelo, durante as Eleições de 2024. Mais uma relação entre o criminoso e o poder público da cidade.
O suspeito também é investigado por ter apontado pessoas para ocupar cargos públicos. Quem comanda essas investigações é a Polícia Federal com apoio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco-PB).
Ele está na lista do Ministério da Justiça que elenca os criminosos mais procuradis de cada estado.
O que liga Fatoka ao esquema de terceirizadas em Cabedelo
De acordo com a decisão de Ricardo Vital de Almeida, Segundo os elementos reunidos na investigação, ele estaria atualmente escondido no Rio de Janeiro, em local incerto, mas continuaria exercendo comando direto sobre as atividades do grupo na Paraíba, especialmente no município de Cabedelo
De acordo com depoimentos colhidos, especialmente o de uma integrante da organização, identificada como “Arroto de Urubu”, o “Fatoka” seria responsável por emitir ordens que abrangem desde o controle territorial armado em comunidades até a influência direta sobre a administração pública de Cabedelo.
No documento, é apontado que Fatoka teria participação ativa no direcionamento de contratações dentro da prefeitura, indicando pessoas para ocupar cargos,por meio de empresas terceirizadas, sendo essas indicações inclusive identificadas internamente com a sigla “FTK”, em alguns documentos.
Após os contratos de licitação serem firmados pelas empresas do esquema e a indicação da facção para pessoas ocuparem os cargos, esses recursos financeiros que seriam pagos retornariam total ou parcialmente ao núcleo político e ao núcleo da facção do acordo por meio de práticas como pagamento de propina, “folhas paralelas”, saques em espécie e outros métodos voltados à ocultação de valores, caracterizando possíveis esquemas de lavagem de dinheiro.
O material ainda aponta que pessoas diretamente ligadas a “Fatoka”, inclusive indivíduos tratados como próximos ou “de confiança”, teriam ocupado funções estratégicas na administração municipal, atuando como intermediários entre a facção e o poder público.
A sogra de Edvaldo Neto, afastado na operação, foi identificada no documento de autorização judicial, como sendo advogada de Fatoka.
O esquema, segundo a Justiça
De acordo com as investigações, os recursos públicos destinados ao pagamento dos postos de trabalho terceirizados voltavam aos líderes da organização e aos agentes politicos na forma de propina. Até mesmo uma "folha de pagamento paralela" chegou a ser implantada.
Segundo o documento, o modelo operava da seguinte forma:
A Prefeitura de Cabedelo realizava contratações de serviços terceirizados, como de limpeza em prédios e domicílios, por meio de licitações que são suspeitas de serem fraudadas, ou direcionadas, para garantir que determinadas empresas, como a Lemon, fossem sempre vencedoras.
Isso ocorria, por exemplo, com a desclassificação deliberada de empresas concorrentes nessas contratações, mesmo quando apresentavam propostas melhores, mediante decisões administrativas e pareceres jurídicos que davam aparência de legalidade ao processo licitatório.
Uma vez que os contratos eram fechados, essas empresas terceirizadas funcionariam como um mecanismo de contratação de pessoas indicadas por uma facção criminosa, identificada como a “Tropa do Amigão”, um braço do Comando Vermelho, na Paraíba.
O que dizem os investigados
A defesa de Edvaldo Neto informou por meio de nota que "o prefeito jamais manteve qualquer vínculo ou relação com facção criminosa, sendo tal imputação absolutamente inverídica e incompatível com sua trajetória pública". Em nota, a defesa do prefeito ressaltou, ainda, que a medida é "de natureza provisória" e "que não implica qualquer juízo definitivo de culpa".
Por meio de nota, o ex-prefeito Vitor Hugo disse que "não conhece" Ariadna, "nunca viu, nunca trocou uma mensagem" e que ela "foi uma indicação" de concorrentes políticos "para fazer uma grande armação". Ele afirmou ainda que é "vítima de uma perseguição política".
Rougger Guerra, secretário da Prefeitura de João Pessoa, afirmou que foi surpreendido com a ação da Polícia Federal. “Esclareço, de forma categórica, que não tenho qualquer envolvimento com os fatos investigados, tampouco mantive qualquer relação com as situações apuradas”, disse. Ele afirmou ainda que entregou o cargo na administração da capital.
Cynthia Cordeiro, sogra do prefeito afastado e que ocupava uma secretaria na administração municipal, foi procurada e também não respondeu.
Em nota, a Lemon afirma que pauta suas atividades "na ética, na qualidade de seus serviços e no respeito às normas, sobretudo aos princípios que regem a administração pública" e que antes de qualquer medida judicial "colocou-se à disposição para colaborar com as investigações".
Em nota divulgada nas redes sociais, a mulher disse que atua como advogada na qualidade da Lemon e "sempre pautou todas as ações com absoluta retidão e lisura, exercendo o ofício com rigor técnico e respeitando as leis". Disse ainda que "acredita na Justiça, estando tranquila e confiante na apuração dos fatos e que tudo será esclarecido à luz do direito".
As defesas dos demais alvos da operação não foram localizadas.
Por Roberto Notícias
- 19/04/2026 18:22 - 




