Por Roberto Notícias
- 16/05/2026 14:29 - 
O ex-governador da Paraíba Ricardo Coutinho (PT) subiu o tom contra o resultado do leilão da Parceria Público-Privada (PPP) de esgotamento sanitário da Companhia de Água e Esgotos da Paraíba (Cagepa), vencido nesta sexta-feira (15) pela multinacional espanhola Acciona, na sede da B3, em São Paulo. De acordo com o que foi apurado pela redação do BC1, o petista — pré-candidato a deputado federal nas eleições de 2026 — classificou a operação como um “esquema profissional” e afirmou que o Estado teria entregado a parte mais rentável do serviço à iniciativa privada.
A declaração
Em pronunciamento que repercutiu rapidamente no meio político paraibano, Ricardo Coutinho utilizou uma metáfora gastronômica para descrever sua visão sobre o modelo adotado pelo Governo do Estado. A íntegra da fala obtida pelo BC1:
“Esquema profissional. Entregaram o filé, o esgotamento sanitário. Daqui a pouco vem a alcatra quando terminarem as obras com recursos federais de adutoras do Curimataú e Cariri e o osso fica para a viúva da Paraíba, o Estado, com uma empresa enorme e qualificada como a Cagepa.”
— Ricardo Coutinho, ex-governador da Paraíba (PT)
O contexto do leilão
A Acciona foi a única empresa a apresentar proposta no certame realizado na B3, oferecendo desconto de 1% sobre a contraprestação máxima prevista em edital. O projeto, estruturado pelo BNDES, reúne 85 municípios das Microrregiões de Água e Esgoto do Alto Piranhas e do Litoral, com previsão de R$ 3 bilhões em investimentos ao longo de 25 anos e meta contratual de elevar a cobertura de esgoto a 90% — patamar exigido pelo Novo Marco Legal do Saneamento.
A redação do BC1 ressalta que, no modelo de concessão administrativa adotado, a Cagepa segue responsável pelo abastecimento de água nas duas microrregiões, enquanto a Acciona assume a operação, modernização e expansão do esgotamento sanitário, recebendo contraprestação paga pelo Estado.
Cagepa “enorme e qualificada”
Um trecho específico da fala de Coutinho merece atenção, segundo o BC1 apurou: ao se referir à Cagepa como uma “empresa enorme e qualificada”, o ex-governador faz um aceno à força operacional da estatal paraibana — companhia que esteve sob administração direta dele durante seus dois mandatos (2011–2018) — e sugere que a empresa pública teria capacidade técnica para executar o serviço sem a necessidade de uma parceria privada deste porte. A leitura do petista contrasta com a justificativa oficial da PPP, que aponta o alto volume de capex necessário (Capex de R$ 3 bilhões) como inviável para a estatal arcar sozinha.
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Roberto Notícia - Jornalista - DRT 4511/80
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